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Com a palavra, a Criadora Andréa Sterque (Bulldog Urbano)

1 – PORQUE O BULLDOG E COMO TUDO COMEÇOU?

Bulldog é uma raça encantadora, há 11 anos atrás uma amiga minha comprou um bull de São Paulo. Na época nem existiam bulls em POA, foi uma dificuldade achar um exemplar. Foi quando compramos o Byron ( Filho do Sezermervander  L. Henry of Mervander) Não conhecíamos muito sobre a raça e tivemos sorte de comprar um exemplar de qualidade. Como ele ficava muito só durante o dia, compramos uma fêmea para lhe fazer cia….assim começou a família Bulldog Urbano!

2 – QUAL A ROTINA DO CANIL?

Acordar cedo , lavar os canis e os páteos e soltar os gordinhos para tomarem sol e brincarem o dia todo. Á tardinha um passeio diário com todos, mais uma descançadinha para depois comerem ração. Banhos, escovadas e limpeza de orelhas são semanais ou quando necessário.

3 – QUAIS AS RECOMENDAÇÕES PARA QUEM ESTÁ PENSANDO EM ADQUIRIR UM BULLDOG?

Acho que o primeiro passo é definir qual raça se adequa às suas necessidades. Se fica alguém em casa,  se mora em apartamento ou casa, se tem com quem deixar quando for viajar , se tem espaço para ele ( área com sol e sombra), se tem crianças ou idosos convivendo com o cão, etc. Todas as raças tem suas peculiaridades, não adianta querer muito um cão se não podemos lhe dar atenção e conforto. Isso faria o cão e o proprietário infelizes.

4 – QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DICAS PARA AQUELES QUE JÁ SÃO PROPRIETÁRIOS?

Entender e respeitar as qualidades e limitações da raça; procurar um bom veterinário que os conheça bem; e amá-los muito!

 

5 – E PARA AQUELES QUE PENSAM EM COMEÇAR A CRIAR?

Conhecer profundamente o padrão da raça e adquirir cães de qualidade e em canis respeitáveis e sérios. Um bom começo define o caminho que seguirá este novo criador!

6 – QUAL O PERFIL DO PROPRIETÁRIO IDEAL?

O que sabe que ao se adotar um filhote, exige-se responsabilidade e respeito ao animal, pois ele será um novo membro na família.

7 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE O PLANTEL NACIONAL?

Está em franca ascensão, destacando-se hoje qualidade internacional em alguns canis que crescem com a consciencia de que criar bem é criar com qualidade.Como sempre e em todas as raças há excessões, mas acredito que hj são minoria em função de muita informação que hj existe para o novo proprietário não cair em golpes.

8 – AINDA SOMOS UM PAÍS IMPORTADOR DE BULLDOGS? SIM / NÃO E PORQUÊ?

Sim somos. Existem inúmeros canis em vários locais do mundo que estão à nossa frente com uma bagagem muito longa de experiencia e conhecimento. Importar cães seria uma forma humilde de reverenciar este potencial que já existe , e continuarmos sempre aprendendo e aprimorando a raça.

9 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE AS EXPOSIÇÕES NO BRASIL E A QUALIDADE DE NOSSOS ÁRBITROS?

Ainda existe muito folclore em torno da raça e de certa forma um desconhecimento sobre o verdadeiro padrão. Já me deparei com juízes que conhecem profundamente o padrão, e outros, não conhecem tanto assim. Isso gera descrença nas exposições no Brasil, mas penso que isso ainda irá mudar!

10 – QUAL A SUA MAIOR FELIDICADE COMO CRIADOR?

Colher bons frutos dentro da arte de criar,  fazer amigos que dividem conosco a mesma filosofia e conviver de perto com os bulls.

11 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE AS ALTERAÇÕES NO PADRÃO DA RAÇA?

Tudo o que promove saúde e bem estar em um cão é muito valorizado, mas sempre mantendo as suas características básicas. O bulldog é um cão atípico, com limitações que só a raça possui…isso dá à ele um charme especial, e faz a diferença diante de outras raças. Portanto, tudo o que é exagerado não é bem-vindo, porém, bom senso neste momento define o que é exagero ou não!

12 – O QUE NÃO PODE FALTAR NUM BULLDOG?

Uma bela cabeça e estrutura forte e robusta!!!
Agradeço a oportunidade de participar desta nobre iniciativa em prol da raça, e espero somar experiências junto à outros criadores!

www.bulldogurbano.com.br

Com a palavra, o Criador Frederico Guidorizzi (Selva Morena)

1 – PORQUE O BULLDOG E COMO TUDO COMEÇOU?

Sempre achei o bulldog um cão diferente, particular em todos seus aspectos. Tive meu primeiro contato com um bulldog de um primo. Aí a vontade de conviver com essa raça aumentou, até chegar 2005, quando adquiri minha primeira fêmea. No começo não tinha a intenção de me tornar criador, pois como veterinário, tinha noção das exigências da raça, mas a vontade falou mais alto, e então nasceu o Canil Selva Morena.

2 – QUAL A ROTINA DO CANIL?

Meus bulls ficam em baias independentes, cada uma medindo 10m². Todas são lavadas e desinfetadas diariamente. Cada qual com seu ventilador que são acionados em dias de calor. Sistemas de aspersão também são acionados em dias de muito calor e também em dias de umidade muito baixa, melhorando assim a qualidade do ar dos mesmos.
Os cães são limpos, escovados e higienizados (orelhas e dobras) uma a duas vezes/semana.
Banhos são realizados uma vez/mês.
A cada quatro meses é feita uma vermifugação. Troco o princípio ativo dos vermífugos a cada ano.
Vacinações de reforço são realizadas anualmente nos cães adultos (raiva, V10 e tosse dos canis); nos filhotes é feito o esquema de três vacinas (V10) a cada 21 dias iniciando no 45o dia de vida e raiva no 6o mês de idade.
As fêmeas quando confirmada gestação recebem um cuidado especial com suplementação mineral e vitamínica, que só termina quando os filhotes são desmamados.
Todas as coberturas são feitas através de inseminações artificiais e em 100% dos partos é feito cesária.
Na maternidade, os filhotes quando nascem, ficam em incubadoras até os 15-20 dias de vida. Após isso vão para baias especiais e lá permanecem até entrega para o novo comprador (que acontece após os 60 dias de idade).
Carinho e atenção são dedicados e fornecidos diariamente e à vontade,  a esses cães tão autênticos.

3 – QUAIS AS RECOMENDAÇÕES PARA QUEM ESTÁ PENSANDO EM ADQUIRIR UM BULLDOG?

Compre de criadores sérios, de preferência, filiados a clubes da raça. Se for possível, conheça o canil antes de comprar. Conheça os pais e a rotina do canil. Veja a maneira como os cães são tratados. Retire todas as dúvidas sobre a raça antes de comprar seu Bulldog. São cães diferentes, com exigências diferentes e, que por isso necessitam de atenção, cuidados e de instalações diferentes.

4 – QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DICAS PARA AQUELES QUE JÁ SÃO PROPRIETÁRIOS?

Procure sempre se atualizar com o que está acontecendo em outros países criadores da raça (Inglaterra, Espanha, Itália, USA, …)
Procure sempre trocar informações com outros criadores. A troca de informação é sempre benéfica, pois ninguém sabe tudo. Criador sério não esconde nada de ninguém, pois o que ele visa é o melhoramento da raça e isso não se faz apenas em seu canil, mas em todos os canis que querem criar seriamente.

5 – E PARA AQUELES QUE PENSAM EM COMEÇAR A CRIAR?

Arrume um “padrinho”. Tenha um criador como seu conselheiro; principalmente nas primeiras crias, é importantíssimo ter alguém que te ajude. E não só nas crias, mas na orientação da construção do seu canil; qual linha de sangue você vai criar, que tipo de alimento fornecer aos seus bulls e etc etc etc…

6 – QUAL O PERFIL DO PROPRIETÁRIO IDEAL?

Que ame realmente o Bulldog, e que não o tenha apenas para ostentação. Que tenha tempo para cuidar e dar atenção a ele, pois são cães que exigem nosso carinho.

7 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE O PLANTEL NACIONAL?

Tem melhorado muito. Muitas importações foram feitas, a maioria trazendo excelentes bulldogs. Exemplo disso foi a Nacional deste ano, que contou com a presença de mais de 80 bulls (de qualidade), sendo que mais de 10 eram Campeões Americanos.

8 – AINDA SOMOS UM PAÍS IMPORTADOR DE BULLDOGS? SIM / NÃO E PORQUÊ?

Sim ainda somos um país importador de Bulldogs. Primeiro porque acho que ainda tem espaço para melhorar a qualidade do plantel nacional (principalmente de fêmeas) e, segundo porque, para alguns criadores, é mais “bonito” falar que tem um bulldog importado. Mas alguns criadores brasileiros já produzem cães de qualidade internacional. Creio que em pouco tempo essa estória se inverterá.

9 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE AS EXPOSIÇÕES NO BRASIL E A QUALIDADE DE NOSSOS ÁRBITROS?

Não gosto de falar sobre esse assunto, mas em algumas exposições, vê-se claramente que não são os cães que ganham e sim “a ponta da guia” (os handlers que os apresentam). Isso me entristece, pois você faz um trabalho sério na sua criação e, se seu cão não for apresentado por esse ou aquele, não tem chances de vencer.
Com relação aos árbitros nacionais, muito, mas muito pouco mesmo se atualizam; não vejo coerência em alguns julgamentos. Cursos de reciclagem deveriam ser oferecidos a eles e até exigidos para que os mesmos estejam sempre atualizados.
Na minha opinião, os árbitros deveriam ser especialistas em raças ou grupos, pois ao meu ver ninguém consegue ser eficaz julgando todas as raças existentes.

10 – QUAL A SUA MAIOR FELIDICADE COMO CRIADOR?

Ver meus bulldogs felizes e saudáveis. Quando vendidos, vendidos para pessoas que dedicarão o tempo e darão o carinho que eles necessitam. Quando em pistas, que se saiam bem e se possível, que se tornem campeões da raça.

11 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE AS ALTERAÇÕES NO PADRÃO DA RAÇA?

Não sou a favor, acho que estão descaracterizando a raça. A meu ver é possível fazer as alterações pedidas sem descaracterizá-los.

12 – O QUE NÃO PODE FALTAR NUM BULLDOG?
O jeito “bulldog” de ser. Que só conhece quem tem!!

http://www.canilselvamorena.com.br

 

Com a palavra, o Criador Kleber Felizola (Du Pierrot)

1 – PORQUE O BULLDOG E COMO TUDO COMEÇOU?

Crio cães há 21 anos e estou na raça há 6. Minha esposa sempre falava que gostaria de ter um bulldog e eu mudava de assunto pois, criava rottweiler e beagle. Um dia, na clínica, recebi um filhote com 2 dias de nascido para eutanásia. Esse filhote vinha de um canil renomado mas, apresentava um desvio lateral nas patinhas trazeiras. O recado do criador era para dar sumiço no filhote. Foi aí que pedi ao funcionário para ficar com ele e assim aconteceu. Criei a bebezinha na mamadeira e ela se tornou minha companheira. Passados alguns anos, recebi uma proposta para junto com 2 amigos comprar o canil Dalid`s, do Dr Ivan Correa, na época com 18 animais de linhagem MACM. A paixão pela raça a essa altura já estava enraizada nos nossos corações.
 

2 – QUAL A ROTINA DO CANIL?

Hoje, o canil possui 18 matrizes e 3 padreadores importados. Nosso objetivo é desenvolver uma linhagem Du Pierrot. Para tanto, estudamos nossos cruzamentos com critério, sempre baseado na linha de sangue que buscamos, temos uma rotina diária com manejo bastante rigoroso na higiene, alimentação super premium, vacinas e vermifugos. O trabalho físico de condicionamento é constante e, por segurança, procuramos manter nossos cães com um peso ideal para que não corram riscos com golpe de calor. Contudo, o que talvez seja mais interessante é o fato de que nossas matrizes criam seus filhotes que, a partir do 3o dia, ficam direto com as mães.
 

3 – QUAIS AS RECOMENDAÇÕES PARA QUEM ESTÁ PENSANDO EM ADQUIRIR UM BULLDOG?

 A 1ª pergunta que faço é se toda a família está disposta a ter um cão em casa. Principalmente a mulher, qdo recebo um casal, pois é ela que na maioria das vezes que dá a última palavra. Daí prá fente, recomendo que procurem sempre um canil registrado no Kennel de sua cidade, pegue informações com criadores mais experientes e que o preço do filhote nunca deve ser o fator de decisão na hora da compra. O barato pode acabar saindo mais caro.

 4 – QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DICAS PARA AQUELES QUE JÁ SÃO PROPRIETÁRIOS?

Que procurem manter o peso de seu bull numa condição que não venha a prejudicar sua saúde Cuidado com o calor e com piscinas. Procure exercitar seu cão de forma moderada, sempre respeitando os limites dele. Proucure socializar e educar seu bull para que ele possa se relacionar bem com todas as pessoas e tb com outros cães. Leve-o regularmente ao veterinário, mantendo vacinação e vermifugações em dia.

5 – E PARA AQUELES QUE PENSA EM COMEÇAR A CRIAR?

Para quem vai começar a CRIAR, além de todas a dicas básicas conhecidas, sugiro que antes, estude bem e defina a linha de sangue que vai buscar. Definido isso, siga nessa linha e evite a “salada mista” de pedigree`s. Esse, na minha opinião, é o maior erro de quem inicia uma criação.

6 – QUAL O PERFIL DO PROPRIETÁRIO IDEAL?

O proprietário ideal é aquele que ama seu cão, respeita seus limites e o cria como cachorro. A pior coisa que um proprietário pode fazer pelo seu cão, é criá-lo como se fosse gente.

7 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE O PLANTEL NACIONAL?

Vejo a raça hoje no Brasil com um enorme potencial genético. Temos aqui diversas linhas de sangue consagradas, tanto americanas como európeias. Creio que ainda nos falta melhorar a qualidade de nossas matrizes e ainda, que os criadores procurem definir bem as linhas com as quais irão trabalhar. Vejo alguns cruzamentos sendo realizados sem um embazamento genético e apenas pelo fenótipo ou pelos títulos do padreador. Isso é na minha opinião, é um critério muito subjetivo e que faz com que tenhamos um caminho muito mais longo a percorrer.


8 – AINDA SOMOS UM PAÍS IMPORTADOR DE BULLDOGS? SIM / NÃO E PORQUÊ?

Com certeza ainda somos um país importador e creio que sempre o seremos. Na verdade não vejo  nisso um problema, desde que, a importação tenha como objetivo a criação. Porém, o que na maioria das vezes acontece, é a importação de cães com o intuito maior de se ganhar exposições e consequentemente, vender muitas coberturas para aqueles que buscam os campeões para padrearem suas femeas.

 9 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE AS EXPOSIÇÕES NO BRASIL E A QUALIDADE DE NOSSOS ÁRBITROS?

Eu sou a favor de exposição especializada, com juízes criadores da raça. As exposições gerais no Brasil, na maioria da vezes, deixam muito a desejar. Nossa raça não é fácil de se julgar. Temos vistos alguns julgamentos sem critério e que ao final, quando paramos para analisar os vencedores de cada classe, são cães de tipos completamente diferentes uns dos outros. Ai pergunto: qual o critério que o árbitro utilizou?  Todo ano, aguardo com ansiedade, a nossa Nacional pois, via de regra, temos julgamentos imparciais e de pessoas realmente entendidas. Parabenizo os organizadores das Nacionais que a cada ano aumenta a participação e a qualidade do evento.

10 – QUAL A SUA MAIOR FELIDICADE COMO CRIADOR?

 Tive grandes felicidades com minha criação. Uma dela quando a DU PIERROT BELISE se tornou o segundo bull de criação nacional a se tornar Jovem Vencedora Nacional. Depois, O DU PIERROT KIEV foi escolhido o Melhor Jovem da Nacional em 2008, batendo vários cães, inclusive importados. Por fim, na Nacional de 2009, a DU PIERROT QUIMMY WHYSE, foi a Melhor femea Jovem sendo a mais nova da classe na ocasião. Isso nos enche de alegria nos faz crer que estamos no caminho correto.

11 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE AS ALTERAÇÕES NO PADRÃO DA RAÇA?

Serei sempre a favor de tudo que ocorra se for para melhorar realmente a saúde dos cães.

12 – O QUE NÃO PODE FALTAR NUM BULLDOG?

Num bull não pode faltar em primeiro lugar uma saúde perfeita. Depois, expressão, robustez, energia e alegria. Não posso deixar de lembrar da cauda, que hoje é um sério problema na raça.

http://www.dupierrot.com.br/

 

Com a palavra, o Criador Carlos Albuquerque (Javary)

 

1 – PORQUE O BULLDOG E COMO TUDO COMEÇOU?

Desde criança ficava fascinado lendo os livros sobre cães e as enciclopédias sobre todas as raças. Claro que o Bulldog era a que me chamava mais a atenção. A paixão pela raça não tem muita explicação, se você gosta, parece que tem um imã te atraindo. Mas tentando explicar em poucas palavras: é uma raça de aparência singular e um temperamento fabuloso.

Em 1998, resolvi comprar meu primeiro Bulldog e fiz o dever de casa antes, pois encomendei no site da Amazon, uns 10 livros… Ou seja, li muito, antes de efetivamente ter meu primeiro Bulldog. Entre estes livros está um bem completo, que consulto até hoje e recomendo, chamado “The Book of The Bulldog” (de: Joan McDonald Brearley). Já sobre genética, minha indicação é o livro “Practical Genetics for Dog Breeders” (de: Malcolm B.
Willis).

2 – QUAL A ROTINA DO CANIL?

A primeira tarefa, por volta das 7h, é a limpeza do Canil e enquanto isso os cães são soltos. Depois há a inspeção de cada animal, quando são escovados, limpos e, se necessário, medicados. No período de 11h da manhã até umas 15h, há um cuidado maior para que eles estejam protegidos do calor que normalmente faz neste horário. Ou seja, eles ficam no Canil, a menos que o dia esteja fresco ou nublado.

Depois eles são soltos novamente e alguns que precisam de mais exercício, passeiam na guia, mas são passeios curtos de 10 a 15 minutos. Isto porquê o passeio na guia exige mais preparo físico do cão. Já quando estão soltos, boa parte do tempo eles ficam descansando…

Todos meus Bulldogs se dão bem, mas procuro não soltá-los todos juntos, pois aí a brincadeira pode ficar muito agitada e sempre tem um que extrapola. Então solto em pequenos grupos, em passeadores diferentes. É fundamental sempre estar de olho, pois qualquer exagero na brincadeira, pode ser perigoso.

A refeição dos adultos é feita em torno das 16h e se a temperatura estiver agradável, vou revezando eles soltos até umas 20h ou 21h. Em resumo: mesmo vivendo em Canil, deixo eles muito tempo soltos, mas com responsabilidade e no menor sinal de cansaço, coloco-os no Canil individual para baixarem a temperatura corporal e recuperarem o fôlego. Tento ao máximo que eles se divirtam ao longo do dia, sem aquele aspecto de Canil que aprisiona os cães. Evito também ter mais de 12 cães para justamente poder dar atenção a todos.

3 – QUAIS AS RECOMENDAÇÕES PARA QUEM ESTÁ PENSANDO EM ADQUIRIR UM BULLDOG?

Primeiro estude sobre a raça e veja se ela é adequada para seu estilo de vida. Como qualquer cão estamos falando de um amigo para toda a vida e não só nos primeiros meses quando ele é um filhotinho engraçadinho. Para quem realmente ama a raça, todas as fases do crescimento até a velhice serão legais de acompanhar, com calma, sem pressa.

Falando em calma, acho que o maior inimigo na hora da compra de um filhote é a ansiedade. Sei que é difícil contê-la, pois estamos lidando com a emoção, mas como sempre falo aqui no BullBlog, pesquise bastante e não se afobe. Há Bulldogs e Bulldogs e infelizmente recebo muitas ligações de pessoas que tiveram experiências ruins com a raça, pois compraram seus cães em Pet Shops ou no primeiro Canil que visitaram.

Muita gente também fala que não faz questão que o cão tenha um excelente pedigree ou seja filho de importados ou campeões, pois “querem apenas um Bulldog para companhia”, mas tento explicar a importância de um Bulldog de qualidade, mesmo que custe um pouco mais caro. Até quem não pensa em colocar seu cão em exposição, deve adquirir um Bulldog de qualidade, que obedeça ao trinômio: Beleza, Boa Saúde e Bom Temperamento. E é isso que procuramos oferecer aos nossos clientes, em razão da linhagem dos nossos cães. O proprietário de um Bulldog, infelizmente, nem sempre pensa nisso quando compra um filhotinho por impulso, mas os problemas gerados por uma compra errada irão inevitavelmente aparecer. Por isso, sempre recomendo pesquisar bem antes sobre o Canil, a linhagem, a saúde e temperamento dos cães e só por último, o preço.

É triste mais muita gente compra “gato por lebre” e como há um certo “modismo” da raça, são comuns casos vistos na Internet, que englobam desde problemas estéticos (cães fora do padrão) até de temperamento (cães agressivos) ou excessivamente agitados. E um outro problema que vem se tornando comum é a saúde frágil de muitos Bulldogs, que acabam por rotular a raça como problemática. O Bulldog quando bem selecionado não tem que viver indo ao veterinário.

Enfim, quando não tenho filhotes disponíveis, aconselho o futuro proprietário a procurar outros criadores sérios que possam ter filhotes naquele momento. E se o proprietário, ainda assim, não encontrar filhotes de origem confiável, sugiro esperar e adiar o sonho de ter um Bulldog por mais alguns meses, para que este sonho não vire um pesadelo.

4 – QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DICAS PARA AQUELES QUE JÁ SÃO PROPRIETÁRIOS?

A principal dica é sempre muito cuidado com o calor. Muitas pessoas subestimam este perigo até passarem por um susto ou até mesmo perderem seus cães. Passeios só devem acontecer nos horários mais frescos, como de manhã cedo, final da tarde ou a noite.

Passeio com Bulldog também deve ser sempre de curta duração. Aprenda a observar os limites do seu Bulldog e a conhecer sua respiração.

Também é importante uma ração de qualidade para a boa saúde do cão e de preferência um piso áspero, nos primeiros meses de vida.

No mais, socialize seu filhote desde cedo e isso evitará que ele tenha traumas ou seja tímido em determinadas situações. Um filhote de Bulldog socializado será um adulto mais feliz.

5 – E PARA AQUELES QUE PENSAM EM COMEÇAR A CRIAR?

Tem que gostar muito e privar-se de algumas coisas em prol dos Bulldogs. Já vi pessoas que adoram a raça desistirem após a primeira ninhada. Tudo é muito trabalhoso na hora da reprodução e cuidado com os filhotinhos, então sugiro que o futuro criador pergunte bastante a algum criador mais experiente e veja, se ainda assim deseja se tornar um.

Por sinal, nos EUA é muito comum o criador iniciante ter um “mentor”, para lhe ensinar “o caminho das pedras”. Eu também tive boas ajudas quando comecei a criar e por isso sempre procuro ajudar os iniciantes.

Além disso, procure seguir uma linhagem que mais lhe agrada e não siga modismos. Se você está começando e tem apenas uma fêmea, pode ser uma boa idéia contratar o serviço de um padreador, mas procure vê-lo ao vivo e se informar sobre o que ele já produziu. Não confie em propagandas, pois muitas são enganosas…

6 – QUAL O PERFIL DO PROPRIETÁRIO IDEAL?

Vejo o proprietário ideal como alguém mais calmo e caseiro. Bulldogs não são exatamente atletas…muito pelo contrário. O Bulldog é um cão excelente tanto para pessoas que vivem sozinhas, como casais jovens e famílias. O Bulldog gosta de pessoas e de atenção. Se dermos, digamos, um pouco de carinho, diariamente, o Bulldog devolverá em triplo!

Vejo o Bulldog, como um cão ideal para quem mora em apartamentos, pois ele não exige muito espaço. O Bulldog também raramente late e é um cão bastante limpo, fatos que reforçam sua aptidão a vida em apartamentos. E pelo estilo de vida moderno, em que as pessoas não param muito em casa, creio que outra grande vantagem é o fato de seus passeios serem curtos, sem tomar muito tempo. Aconselho de 2 a 3 passeios diários, naquela faixa de 15 minutinhos, para cada passeio.

7 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE O PLANTEL NACIONAL?

Tem melhorado de forma espantosa, mas há ainda um longo caminho pela frente.

A Exposição Nacional da ABRABULL mostra bem esta evolução, pois já tivemos sete nacionais e a cada ano, aumenta a quantidade e a qualidade dos cães.

Acompanho de perto a maior Cinofilia do mundo que é a Americana, e temos melhorado com a importação de cães de boa linhagem daquele país. Meu plantel mesmo é todo baseado em cães que importei dos Estados Unidos. Foram mais de 10 Bulldogs que trouxe dos EUA, desde 2004.

No meu plantel trabalho com uma linhagem bem saudável e típica, por isso já não vejo tanta necessidade de importar a todo momento, mas evidentemente que qualquer cão que venha a somar em qualidade, será bem vindo.

No geral, de três anos pra cá houve um “boom” de importações. Claro que algumas são equivocadas, pois são feitas por iniciantes, mas este é o preço do aprendizado… Para quem deseja importar um Bulldog, sugiro que o faça sem afobação ou deslumbramento, pois “grifes” famosas (Canis de renome) não garantem nada.

8 – AINDA SOMOS UM PAÍS IMPORTADOR DE BULLDOGS? SIM / NÃO E PORQUÊ?

Sim, sem dúvidas. Como já disse esta importação na maioria das vezes é benéfica, mas há que se analisar o fenômeno com calma. Como dito antes, nem todos que importaram, acertaram e isso traz prejuízos a criação brasileira, até porquê o criador que importou errado, muitas vezes por orgulho ou por desconhecimento mesmo da raça, insiste em usar o cão como reprodutor e isso representa um passo atrás em relação aos que estão melhorando o plantel nacional. Infelizmente há alguns criadores que são conhecidos por serem importadores compulsivos de cães, mas quando vamos pensar no que eles criaram até hoje… fica uma lacuna em branco.

Quando comecei a criação, há cerca de 10 anos, havia o mito de que criadores estrangeiros não enviavam bons cães para o Brasil, por sermos terceiro mundo…etc.

Claro que isso já caiu por terra, até porquê, aos poucos, começamos a ser respeitados lá fora. O que existem são aventureiros, que sempre existirão, que continuam sem saber comprar e que aceitam qualquer cão, só pelo “glamour” da importação. Esses caras infelizmente levam uma imagem negativa do Brasil para o exterior.

Já existem bons machos importados no Brasil, então minha sugestão é usarmos mais estes cães, fazendo um intercâmbio maior entre criadores, deixando um pouco o orgulho de lado.

O resultado tende a aparecer se o trabalho for bem feito. Hoje, felizmente já exporto mais cães do que importo. E mando cães de pista para EUA, Canadá, Argentina, etc., com o intuito de representarem bem a Cinofilia brasileira lá fora.

9 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE AS EXPOSIÇÕES NO BRASIL E A QUALIDADE DE NOSSOS ÁRBITROS?

Acho que, assim como a influência altamente benéfica dos Bulldogs dos EUA, teríamos também a ganhar se seguíssemos mais o modelo das exposições de lá, onde se julgam 3 mil cães a partir das 8h da manhã e o Best in Show é tirado as 16h, ou seja, sem ficar algo cansativo para cães, expositores e público em geral.

Mas estamos no caminho certo. Se pudesse sugerir algo seria diminuir a quantidade de exposições, para tentarmos aumentar a qualidade do espetáculo.

Nosso quadro de árbitros é muito bom, de um modo geral, e inclui gente envolvida com Cinofilia há anos. Porém, como criador de Bulldog, ainda vejo poucos realmente íntimos e profundos conhecedores da nossa raça. Creio que os juízes estão evoluindo no conhecimento sobre o Bulldog, junto com a melhora do plantel brasileiro, pois isso passa a exigir mais deles. Nas décadas passadas era normal ver um Bulldog de orelha em pé, ou outro excessivamente prognata ou então pernalta, então julgar era bem mais fácil. Hoje se vê uma qualidade bem maior e poucos Bulldogs com defeitos tão gritantes, então o foco do julgamento vai para os detalhes e para o conhecimento mais técnico.

10 – QUAL A SUA MAIOR FELICIDADE COMO CRIADOR?

Sem dúvida é criar. Parece óbvio mas não é. Há criadores que na verdade são meros expositores, pois só querem ganhar a qualquer custo, então vivem atrás de comprar o Bulldog para a campanha do próximo ano e o tratam como uma “máquina”, ao meu ver sem se preocuparem muito com o bem estar do animal. O verdadeiro criador busca produzir com qualidade e aí sim, expor o cão.

A cada ninhada que temos, planejamos ficar ao menos com um filhote, ou seja, a venda de filhotes é uma consequência normal, mas não a prioridade. E cada nova ninhada é uma esperança renovada de que estará ali o próximo campeão Javary.

Para nós, nada se compara ao orgulho que sentimos quando nosso querido Javary The Thing (Jake) venceu a Classe Aberta Macho na Nacional Americana de 2009. Um feito inédito para o Brasil. Felicidade que revivemos quando o Jake se tornou, em junho deste ano, o primeiro Bulldog nascido no Brasil a se sagrar Campeão Americano.

Pode haver felicidade maior que essa? É a recompensa do trabalho árduo, mas extremamente prazeroso. Tudo que se faz com amor e talento gera frutos.

Mais recentemente, também tivemos a alegria de receber o convite da autora americana Sra. Muriel Lee, para escrever um capítulo de seu próximo livro da série Kennel Club Classics, que contará sobre a História do Bulldog ao redor do mundo. São fatos como este que nos dão um grande incentivo.

11 – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE AS ALTERAÇÕES NO PADRÃO DA RAÇA?

Não creio que são mudanças radicais e o criador sério, há muito tempo já seleciona seu plantel baseado também na saúde. Como falei no começo da entrevista, o Bulldog que produzimos tem que buscar Beleza, Saúde e Temperamento.

Um Bulldog que seja só bonito, mas que respire muito mal ou seja agressivo, por exemplo, não pode de maneira alguma reproduzir.

E há inúmeros Bulldogs com excelente tipicidade, que são muito saudáveis, ou seja, não vejo que uma coisa exclua a outra. Mas é preciso critério e bom senso na criação, como em tudo na vida.

12 – O QUE NÃO PODE FALTAR NUM BULLDOG?

Acho que o bom Bulldog é aquele equilibrado e proporcional, sem que uma característica se sobressaia. Observar um Bulldog que movimente bem é um indício de que se trata de um cão equilibrado e correto. Acho que além da boa saúde e temperamento amigável e tranquilo, como já comentamos, o Bulldog ideal deve ter linhas harmônicas, com bons aprumos, bem angulado, uma linha de dorso correta, volume típico da raça, uma bela cabeça e para completar, a “cereja no bolo” que é uma movimentação perfeita.

Para finalizar, quero parabenizar o BullBlog, agradecer ao amigo Gilberto Medeiros pela iniciativa de entrevistar a nós criadores e agradecer a honra de abrir esta série de entrevistas, que sem dúvida será muito útil e esclarecedora. Já estou curioso para ler as opiniões dos próximos convidados.

Criadores conscientes são ainda minoria, mas temos o dever de divulgar ao máximo a importância de se criar pensando no bem da raça. Além das alegrias que as exposições nos trazem, cabe ressaltar que para mim, uma outra grande felicidade é ver nossos clientes, felizes ao lado de seus Bulldogs, realizando aquele que, muitas vezes, é um sonho de uma vida toda.

http://www.javary.com.br

Especializada da Raça, Abrabull convida!!!


Vem aí as especializadas de Bulldog do KCSP, com o apoio da ABRABULL.Convidamos todos os sócios da ABRABULL a participarem das exposições do KCSP, que será realizado no Ginásio Poliesportivo José Correa, em Barueri/SP (saída 26 – A – Rod. Castello Branco), nos dias 15,16 e 17 de outubro de 2010.Como destaque os julgamentos das juízas/criadores: Mrs. Brenda Newcomb e Mrs. Claire Johnson do Canil Newcomb (USA).Neste mesmo evento a Abrabull e o KCSP irão realizar a Palestra “Julgando o Bulldog” com a criadora Brenda Newcomb, que é a responsavél pelo treinamento dos juizes do Bulldog Club of America.
Essa palestra é um pré-requisito para os juizes e criadores que desejam julgar uma especializada ou match Abrabull.O evento ainda contará com outros nomes de peso, como os renomados juizes Mrs. Michele L. Billings (Estados Unidos), Mrs. Denny Mounce (Estados Unidos), Mrs. Peggy L. Lloyd (Estados Unidos), Mr. Jon R. Cole (Estados Unidos), Mr. Laurence Morgan Evans (Inglaterra), Mr. Jack Peden (Africa do Sul), Mr. Ermano Maniero (Peru), Sra. Maria Edith Pinheiro Pereira (Brasil), Sra. Roma Jenness Hochfoeld (Brasil).Contamos com a participação de todos sócios ABRABULL, desejando desde já, um enorme sucesso ao evento.

MAIORES INFORMAÇÕES: acesse o link do site do KCSP no final da matéria.

Segue circular KCSP:

KENNEL CLUBE DE SAO PAULO
Sistema CBKC/FCI

GRAND PRIX – KCSP / CICLOS

Homologação: SPX/I2P7F-11649 à 11658/10 e SPAXE – 11702/10

Data:
15/10 – Especializadas
16/10 – Grupos 1, 2, 4, 6, 7, 10 e 11º – Raças e Grupos
17/10 – Grupos 3, 5, 8 e 9º – Raças, Grupos e BIS

Local :
Ginásio Poliesportivo José Correa, em Barueri (saída 26 – A – Rod. Castello Branco)

Eventos:
56ª Panamericana, 57ª Panamericana , 24ª Internacional e Especializadas

Bulldog Inglês (2)

Árbitros Homologados:

Mrs. Michele L. Billings (Estados Unidos)
Mrs. Denny .Mounce (Estados Unidos)
Mrs. Peggy L.Lloyd (Estados Unidos)
Mr. Jon R.Cole (Estados Unidos)
Mrs. Brenda Newcomb (Estados Unidos)
Mrs. Claire V. Johnson (Estados Unidos)
Mr. Laurence Morgan Evans (Inglaterra)
Mr. Jack Peden (Africa do Sul)
Mr. Ermano Maniero (Peru)
Sra. Maria Edith Pinheiro Pereira (Brasil|)
Sra. Roma Jenness Hochfoeld (Brasil)

Prazos e Preços
Gerais
Até 01/10
Cães até 9 meses R$ 70,00
Cães acima de 9 meses R$ 120,00

De 02 a 11/10
Cães até 9 meses R$ 80,00
Cães acima de 9 meses R$ 130,00
Cães registrados no KCSP, desconto de R$ 5,00 – Sócio do KCSP + 5,00

Gerais + Especializadas (2 Especializadas Bulldog Inglês)
Até 01/10
Cães até 9 meses R$ 120,00
Cães acima de 9 meses R$ 190,00

De 02 a 11/10
Cães até 9 meses R$ 130,00
Cães acima de 9 meses R$ 200,00

Somente Especailizadas (2 Especializadas)
Até 11/10
Cães até 9 meses R$ 80,00
Cães acima de 9 meses R$ 100,00

OBSERVAÇÃO: NÃO SERÃO ACEITAS INSCRIÇÕES APÓS A DATA DE ENCERRAMENTO.
 

Link relacionado: http://www.kcsp.com.brgiba-criadorcolaboradorGilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei

E o Bulldog mordeu…

O Bullblog tem recebido uma série de postagens de proprietários em dificuldades comportamentais com seus amados Bulldogs. Na grande maioria delas, o problema diz especificamente com agressividade voltada contra o dono, inclusive de filhotes.

Assim, resolvi falar um pouco sobre o assunto em razão da sua importância e do pouco material existente, leia-se Bulldog e agressividade.

Inicialmente é necessário falar sobre a origem da raça e a função para a qual ela foi selecionada. Descendente dos antigos molossos, o Bulldog tem a sua gênese calcada em batalhas e lutas corporais. Eis a sua função primeira, lutar e defender!

Em outras palavras, o Bulldog era uma máquina de guerra, com itens, como cabeça, corpo, mordedura, tronco, pele, temperamento e resistência à dor, cuidadosamente selecionados durante centenas de anos para que fosse, primeiramente, um soldado e, posteriormente, como a raça acabou sendo consagrada, um gladiador nos esportes de época – em especial as lutas contra touros, ursos e até mesmo em rinhas de cães.

Muito embora a figura do Bulldog atual apresente um distanciamento físico do seu antepassado de arena, muitos dos traços primitivos estão fortemente presentes na versão moderna da raça e formam a sua essência, ou seja, são características pela quais a raça é identificada. É o caso da cabeça braquicefálica, da mandíbula prognata, do topline (linha de dorso com posterior mais alto) e do formato do corpo (mais pesado e forte na frente em comparação com o posterior).

Do ponto de vista comportamental, podemos dizer que há também uma grande diferença entre aquele cão de luta do passado e o Bulldog atual, hoje um cão essencialmente de companhia e perfeitamente adaptado à vida moderna e aos grandes centros urbanos.

Aliás, cabe o registro de que a raça só conseguiu chegar aos dias atuais, e ainda gozando de grande popularidade, graças ao trabalho de obstinados criadores que, mesmo com a proibição de tais esportes violentos (1835), mantiveram seus Bulldogs e, por meio de cruzamentos seletivos, conseguiram tirar o viés agressivo da raça.

É claro que nos dias de hoje, com todo o tratamento e regalias que um Bulldog moderno faz jus como membro da família, fica muito mais fácil ser aquele cão bonachão e pacato que conhecemos do que o ancestral raivoso e sempre pronto para atacar.

Não é difícil de imaginar o tratamento dispensado às “estrelas” do Bull baitings rings no Século XVIII…

Sobre a importância do “esporte” na época e a herança deixada por ele, envolvendo principalmente a briga contra touros em suas respectivas arenas, reproduzimos trecho da matéria extraída do jornal Londrino “Globe”, publicada em julho de 1905, sendo que os fatos inerentes ao texto estão relacionados há 95 anos (aquela época):

No Mercado Municipal de Preston ainda se pode observar uma larga pedra a qual estava antigamente afixada no ring no qual o touro era amarrado, mas o próprio anel (ring) desapareceu. “Bull ring” este é o termo que era aplicado para a designar o anel que era afixado numa pedra ou numa pesada estaca de madeira que ficava ao centro da arena. E neste anel o touro era amarrado. Em Horsham o anel de ferro no qual o touro ficava preso ainda pode ser visto no local onde eram firmadas as lutas, num pequeno anexo, ao lado de Carfax – a forma do espaço central diverge das ruas principais da cidade. Disso tem sido dito que o seu ultimo uso foi no ano de 1814. O nome de “Bull ring” como doação da cena dos Bullbaitings é ainda preservado em muitas cidades inglesas. Em Birmingham, por exemplo, a rua mais importante e movimentada chama-se “Bull Ring” – um nome de muita significância que permanece desde os tempos mais remotos, mas que descreve o local no qual muitos vestígios e sinais do antigo esporte ao longo tempo desapareceu.

Prossegue o histórico texto, agora falando da presença dos Bulldogs nestes rings:

“Na Southwark High Street, antigamente, nos tempos da dinastia Tudor, existia no local um Bull Ring, a qual desapareceu a cerca do ano 1560; a qual foi substituída pelos famosos Paris Gardens (Jardins de Paris), onde ursos foram os especiais e favoritos propósitos para lutar contra bulldogs. O Bull Ring – a arena de esportes – era circular, uma construção muito forte e fechada; e Mr. Fairbairn Ordish, em sua redação sobre “O primeiro Teatro de Londres” mostrou bem isso que a influência da “Tal estrutura redonda formato das antigas casas de esportes era “considerável” embora secundário, para o “tradicional ring” interagir na evolução dramática, em conexão com outras formas de “jogos” esta era mais apropriada e quase se aliando para o drama. Os antigos tempos do cruel esporte eram diretamente encorajados por algumas autoridades urbanas por razões que o Bullbaiting contribuía para a oferta da carne bovina. Chesterfield em Derbyshire, existia uma lei municipal que ordenava que todo açougueiro que matasse um touro no matadouro teria previamente que “iscar”, ou seja, colocar o animal para combater no Bull ring da praça do Mercado ou então pagar uma multa.” (Grifou-se).

Muito embora os Bull rings façam parte do passado e hoje o Bulldog não tenha que defender sequer o seu prato de ração, não podemos esquecer que aquela máquina de guerra ainda possui as armas com as quais antigamente defendeu territórios e divertiu os povos nos esportes sangrentos!

Também não podemos esquecer que alguns contornos comportamentais outrora fundamentais ao velho gladiador, ainda hoje estão visíveis, por exemplo, no Bulldog Horácio que passa as tardes roncando estirado no tapete da sala…

Quem tem um Bulldog sabe, não espere um cão servil e que faça tudo para agradar seu dono. São cabeçudos e se permitem fazer algumas vontades de seus donos sempre que lhes for conveniente ou, principalmente, se ao final o pagamento for algo comestível…

Em outras palavras, o Bulldog moderno é um cão determinado para muitas coisas e que suporta como poucos a dor física. Tais características, certamente, faziam parte dos antigos freqüentadores dos Bull baitings.

Minha intenção com essa analogia é apenas contextualizar o Bulldog para que as pessoas tenham uma concepção mais completa e abrangente sobre a raça e possam com ela relacionar-se tendo em mente sua história e evolução. Nada mais que isso.

Além desse aspecto histórico, que pode, em muitas casos, ser o pano de fundo de alguma reação atávica de agressividade, temos que lembrar que, muito embora sejamos atraídos principalmente pela estampa do Bulldog, o bom criador deve primar pela seleção de cães com temperamentos condizentes com a atualidade da raça e com aquilo que esperamos de um cão essencialmente de companhia.

Esse é um aspecto muito importante e também muitas vezes desprezado por alguns criadores e que, vez por outra, mostra seus efeitos em filhotes com problemas comportamentais e até mesmo em cães adultos que participam de exposições da raça, muitos deles sumariamente desclassificados ao tentarem avançar sobre o árbitro.

Somado a tudo isso está o despreparo dos novos proprietários para lidar com esse novo membro da família (indiscutivelmente o principal fator a desencadear problemas comportamentais), que, muito embora seja amado e tratado como um ser humano, é na verdade um animal, um cão, que precisa ser entendido e tratado como tal. E para que isso aconteça é necessário que seu dono reúna o mínimo de informações sobre ele. Mas isso é assunto para o próximo post.


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Gilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei

Final da Raça no Crufts 2010, imperdível!

A dica do link no youtube veio do amigo, criador e também assíduo Bullblogueiro, Carlos Albuquerque (Canil Javary). Trata-se nada mais, nada menos, do que a disputa entre o melhor Macho e a Melhor Fêmea da Raça Bulldog no Crufts (13/03/2010), edição 2010, a maior e mais tradicional exposição do Mundo, que esse ano contou com a presença de 22 mil cães. E a difícil escolha acabou recaindo sobre o belíssimo macho CH. SEALAVILLE HE`S THE REBEL JW.

Na foto o Bulldog vencedor do Crufts 2010

CH SEALAVILLE HE`S THE REBEL JW

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Gilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei

Faltam 3 meses para o Maior show do ano!

Novamente, junto ao Jundiaí Kennel Clube, presidido pelo Sr. Cesar Moscoso e com patrocínio da Royal Canin, gerenciada pelo Sr. Giovanni Lara, a ABRABULL orgulhosamente convida seus associados e amantes da Raça, para a NACIONAL ABRABULL.

O evento que já virou tradição no meio cinófilo, chega a sua sétima edição e será pelo segundo ano, realizado na cidade de Jundiaí-SP, entre os dias 8 e 11 de abril de 2010.

A juíza da Nacional será a criadora Sra. Dara Carr, do tradicional Canil Glendar, dos Estados Unidos. A Sra. Carr julgou um dos eventos da Nacional Americana, em 2008 e seu afixo Glendar Bulldogs já produziu 26 Bulldogs Campeões Americanos, junto ao seu marido, Sr. Glen Carr. Em breve, traremos mais novidades e informações sobre a Nacional. Fiquem ligados!

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Gilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei