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LIPOMA

O lipoma é um tipo de neoplasia originária dos adipócitos (células de gordura). Pode surgir como uma massa única ou múltipla, tendo preferência por locais como o tórax e membros anteriores. Geralmente se localizam no subcutâneo (logo embaixo da pele), são moles, não aderidos, e facilmente removíveis via cirurgia. Os lipomas são tumores benignos, muito comuns em fêmeas idosas castradas.

O diagnóstico é feito através do exame clínico do paciente e exames complementares. Na consulta através do exame físico, o veterinário determina qual a melhor forma de proceder para fazer o diagnóstico adequado. Assim poderá solicitar:

  • Raio x do local;
  • Ecografia;
  • Exames de sangue para check up geral;
  • Biopsia aspirativa do local;
  • Encaminhamento para cirurgia e posterior biopsia do tumor.

 

Opta-se pela cirurgia conforme a localização, tamanho e dúvidas sobre o diagnóstico. Essas dúvidas podem surgir quando os demais exames não foram conclusivos na confirmação do tipo de tumor.

lipoma

O caso relatado via fotos é de um cão SRD, porte grande, de nove anos de idade, encaminhado de um abrigo. Apresentava aumento de volume no membro anterior esquerdo na região axilar, não se tem informações sobre o ritmo de crescimento do tumor. Essa massa estendia-se pela axila, tórax e dorso, sem haver comprometimento do movimento do braço esquerdo do paciente.

O cão apresentava desconforto no local à manipulação e distensão da pele em vários pontos. Foi realizado raio x do local a fim de aproximar a extensão da neoplasia, verificou-se que envolvia apenas tecidos moles sem envolvimento ósseo e sem invasão do tórax. Os demais exames complementares permitiram que o paciente fosse submetido à cirurgia.

Optou-se direto pela cirurgia sem biopsia aspirativa prévia em vista do tamanho avantajado do tumor e do desconforto apresentado pelo cão. Foi mantido um dreno no local pelo período de três dias. O paciente recebeu antibiótico, antiinflamatório e analgésicos. Uma amostra do material coletado foi enviada para exame histopatológico (biopsia) que indicou realmente lipoma. Os pontos foram retirados após 14 dias da cirurgia e o cão se recuperou totalmente.


Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre. Contato: vivianesd@bol.com.br

 

Cistite

Nos casos de cistite, ocorre um espessamento da parede da bexiga com inflamação e redução do interior, por isso os cães têm necessidade de urinar com maior freqüência e em pequena quantidade.

A cistite consiste na inflamação da bexiga, é uma vesicopatia muito vista na rotina clínica. Podemos ter várias razões para o seu surgimento:

* origem
bacteriana: a contaminação bacteriana pode ocorrer pela migração de bactérias das fezes para a uretra e bexiga. Muito comuns em fêmeas após o cio e em machos e fêmeas que têm o habito durante a micção de contatar o chão ou outra superfície, assim propiciando a entrada de bactérias.

Também temos algumas patologias renais que podem levar a cistite;

* origem medicamentosa: cães que estão em tratamento com quimioterápicos podem apresentar cistite tanto pela ação do quimioterápico no local quanto pela redução da imunidade;

* secundária a outras doenças: algumas patologias podem ser responsáveis pelo surgimento da infecção como vemos em casos de diabete mellitus que pode gerar um quadro chamado cistite enfisematosa;

* tumores e cálculos: a presença destes pode gerar lesões na parede mucosa da bexiga e propiciar o surgimento da cistite;

* origem fúngica: cães imunodeprimidos podem ser mais suscetíveis à contaminação por fungos e seu crescimento no interior da bexiga.

A cistite pode se apresentar de forma aguda com surgimento repentino ou forma crônica com quadros que se estendem por mais tempo. Os sinais clínicos observados incluem aumento da freqüência de micções, febre, odor desagradável da urina e prostração. Em casos de cistite hemorrágica ou tumores vesicais, a urina pode ser composta na sua maioria por sangue vivo ou coágulos. Em casos de cálculos vesicais a urina pode ter a presença de sangue e de pequenos cristais semelhante à areia.

O diagnóstico é realizado pelo exame clínico do cão, ultrassonografias abdominais e exames de urina e de sangue. Para a cistite bacteriana o tratamento é realizado com uso de antibióticos e exames de controle. Nos casos de cálculos vesicais se faz além da medicação, alterações na dieta com introdução de ração especial e, se necessário, cirurgia para retirada dos cálculos. Quando a cistite é gerada pela presença de tumores, indica-se procedimento cirúrgico e biópsia do material.

O prognóstico da cistite varia de acordo com o caso, mas em geral cistites bacterianas têm resolução simples e rápida, enquanto os tumores têm um prognóstico que varia de acordo com seu tipo e classificação.

A prevenção pode ser feita oferecendo ração de boa qualidade, de preferência sem muitos petiscos e evitando totalmente alimentos humanos. A higiene também é importante, principalmente em fêmeas no cio com limpeza do local e banhos regulares.

Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre. Contato: vivianesd@bol.com.br

Bronquite Crônica

A bronquite consiste na tosse persistente por várias semanas que não apresente nenhuma causa específica aparente. Suspeita-se de uma inflamação das vias áreas, causada por agentes infecciosos ou por agentes alérgenos. Geralmente ocorrem alterações nos tecidos que revestem o trato respiratório, levando a edema (inchaço) e espessamento do local com aumento da produção de muco denso.

O sinal clínico mais marcante que verificamos é a tosse seca, comumente associada ao engasgo após a tosse que simula um quadro semelhante ao vômito. Podemos verificar também a intolerância aos exercícios, cianose (alterações na cor de mucosas e língua que passam do rosa tradicional ao azulado) e síncope (desmaio).

Alguns fatores de risco são relacionados à bronquite crônica:

  1. Exposição prolongada aos agentes irritantes: por exemplo, pó de cimento, produtos químicos de limpeza e fumaça de cigarro;
  2. Obesidade;
  3. Odontopatias: doenças dentais predispõem ao aporte bacteriano para as vias respiratórias;

O diagnóstico é realizado pelo exame clínico do paciente, coleta de exames de sangue e radiografias de tórax. Dependendo da avaliação do veterinário, talvez sejam necessários outros exames para exclusão de cardiopatias. O tratamento deve ser realizado com utilização de antitussígenos, se necessário antibióticos e antiinflamatórios. É importante o monitoramento do peso do paciente e evolução do tratamento. Muitas vezes processos crônicos têm tratamento demorado com resultados lentos.

Na rotina clínica, verificamos um número grande de bulldogs com processos respiratórios crônicos. Muitos apresentam piora significativa no período de inverno, ainda mais quando associados à gripe canina (traqueobronquite infecciosa canina).

Assim fica a dica de vacinação contra a gripe e observação do cão, diante de qualquer sinal anormal procure seu veterinário.

Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre. Contato: vivianesd@bol.com.br

SELEÇÃO ARTIFICIAL X BULLDOG INGLÊS

 

Recebi como muita alegria o belo trabalho realizado pela academica PAULA CHICONI DACUNTO DOS SANTOS (2º ano de Medicina Veterinária na Universidade de Franca – UNIFRAN), onde o objeto central é o Bulldog inglês e o trabalho de seleção artificial realizado com a raça, vale a pena conferir! Parabéns Paula!

“Trabalho realizado para disciplina de Comunicação, Expressão e Metodologia Científica no 4º bimestre de 2010.

Orientadora: Profª. Drª. Antonella Cristina Bliska Jacinto.

FRANCA

2010

AGRADEÇO a todos que colaboraram para a elaboração deste trabalho, especialmente aos seguintes médicos veterinários que doaram gentilmente um pouco do seu tempo ao responder o questionário: Antonella C. Bliska Jacinto, Daniel Paulino Júnior, Denise de Moraes, Luís Osório Figueiredo Filho, Raquel Tittoto de Oliveira Massaro, Sandra B. Prado, Taise Lima Donegá, Tatiana M. Taguchi, Thaís Melo de Paula e Viviane Dubal; à minha orientadora Antonella (Nelly); à minha amiga e professora Josiane Maria Starling Duarte; à Gilberto Pires Medeiros Filho, dono do Canil Reserva do Rei, que foi gentil cedendo as fotos dos animais de sua propriedade para que ilustrassem este trabalho; agradeço especialmente meu pai, Anselmo Davi Dacunto dos Santos, por dedicar tempo à minha escrita, me orientando o tempo todo, todo autor precisa de um pai como ele por trás do processo de criação.

INTRODUÇÃO

A história evolutiva dos cães é um dos mais interessantes assuntos relacionados a estes animais, já que os mesmos aparentemente foram os primeiros a serem domesticados pelo homem e, devido à sua companhia e afeição ao ser humano, são denominados como “os melhores amigos do homem”.

O conhecimento de seus antepassados ainda requer diversas pesquisas, pois mesmo nos dias atuais, pesquisadores relatam não poderem afirmar se os cães vieram dos Lobos Cinzentos (Canis lupus; anexos, figura: 1) ou dos Lobos Asiáticos como, por exemplo, os lobos árabes (Canis lupus arabs; anexos, figura: 2). Recentemente cientistas da Universidade de Tübingen, na Alemanha, identificaram fragmentos de crânios e restos de dentes caninos, encontrados em 1873, estes restos são indiscutivelmente do cão mais antigo do mundo já encontrado, datando de 14 mil anos. Estes fragmentos foram encontrados no século XIX numa caverna de Kesslerloch, no norte da Suíça, e somente recentemente paleontólogos e arqueólogos identificaram os restos como provenientes de um cão ao comparar o tamanho dos dentes caninos deste animal com os de outros animais encontrados na caverna que eram de lobos primitivos.

A evolução dos cães caminhou juntamente com a seleção natural e seleção artificial. A seleção natural é o processo pelo qual todas as espécies passam, onde os indivíduos mais adaptados ao local em que vivem serão os pais da geração subseqüente. Portanto se os cães vieram dos lobos asiáticos ou dos lobos cinzentos foi graças à seleção natural que os moldou através de séculos, pela sobrevivência do mais adaptado, selecionando aqueles mais aptos à aproximação humana. Os lobos mais mansos e maleáveis começaram a se aproximar das colônias humanas e a partir desse momento o homem começou a interferir, realizando cruzamentos para o próprio uso e não deixando esses animais se reproduzirem naturalmente, ou seja, o homem começou a fazer a seleção artificial destes animais, selecionando os mais aptos para certas tarefas diárias.

Assim, o uso da seleção artificial possibilitou a formação das mais variadas raças de cães, desde os pequenos Chihuahuas, aos enrugados Sharpeis Chineses

(Anexos, figura: 4) e até aos gigantes Dogues Alemães (Anexos, figura: 3). Porém, alguns cães sofreram alterações mais significativas e consequentemente maiores modificações ocorreram com o passar dos tempos nesse tipo de seleção, como por exemplo, o Bulldog Inglês (Anexos, figura 5) que com o passar dos tempos foi cada vez mais modificado através deste tipo de seleção. O passado obscuro de lutas sangrentas e cruéis como o bull baiting e o bear baiting foi extinto no temperamento atual da raça.

Em uma recente pesquisa realizada entre os dias 17 de agosto e 17 de setembro de 2010 nas regiões Sudeste (Nas cidades de: Franca, Jaboticabal e Ribeirão Preto) e Sul (Na cidade de: Porto Alegre) com animais da raça Bulldog Inglês com as mais variadas doenças, os profissionais da área de Medicina Veterinária constataram, que em alguns casos, tais doenças originam-se da seleção artificial incorreta e alta consangüinidade. Tais fatores podem ser facilmente observados e identificados quando uma raça se torna popular.

Dos 303 cães da raça Bulldog Inglês da pesquisa cerca de 30,36% possuíam algum tipo de dermatite; 17,2% dos animais apresentaram alguma enfermidade ocular; 10,6% alguma enfermidade cardíaca; 14,52% dos animais possuíam algum tipo de enfermidade estrutural e 7,3% dos Bulldogs Ingleses apresentaram má formações maxilares e mandibulares como fenda palatina e lábio leporino. Em fêmeas, cerca de 8,91% do partos foram distócicos.

A DOMESTICAÇÃO DOS LOBOS

A evolução dos cães permanece incerta, pode-se afirmar apenas, através de dados genéticos, arqueológicos e paleontológicos, que a relação do homem com o cão data de aproximadamente 14 mil anos atrás, no mínimo. É bem possível que os progenitores dos cães domésticos tenham vindo de diversas raças de lobos e não exclusivamente do lobo cinzento americano que todos conhecem, existem raças ou subespécies distintas de lobos que além de serem originários de várias regiões do mundo também possuem comportamentos e padrões de pelagens completamente diferenciados uns dos outros como, por exemplo: o lobo da tundra (Canis lupus

albus); o lobo russo (Canis lupus communis); o lobo europeu (Canis lupus lupus); o lobo ibérico (Canis lupus signatus); o lobo itálico (Canis lupus italicus); o lobo do deserto árabe (Canis lupus arabs); o lobo ártico (Canis lupus arctos); o lobo das planícies (Canis lupus nubilus) e o lobo mexicano (Canis lupus baylei).

A associação dos homens e dos lobos teve benefícios mútuos, pois ambos eram caçadores nômades durante o fim da era do gelo no Paleolítico. Estes animais começaram a se aproximarem das colônias humanas e ali permanecerem, por interesse nos restos de comida que ganhavam, na caça aos roedores que se alimentavam do lixo deixado para trás, ou até da possibilidade dos os humanos terem capturados e criados os animais órfãos como se fossem da família. Portanto, foi o lobo que escolheu viver perto das colônias, se permitindo domesticar ao viver nos arredores dos humanos, esses animais viram nessas áreas um habitat próspero. Os homens ganhavam a proteção dos lobos que permaneciam nas proximidades. Os nativos começaram a capturar os filhotes dos lobos que eram tão atrativos quanto os filhotes de cães domésticos de hoje, esse seria um passo extremamente importante para a domesticação desses animais.

Tanto o homem quanto os lobos viviam em sociedades hierárquicas, onde a cooperação na caça e o cuidado com os mais jovens eram similaridades que contribuíram para o entendimento de ambos e futuramente para o sucesso da domesticação. Quando o homem iniciou a transição de se estabelecer em habitações fixas e abandonar o nomadismo, a relação deste com o lobo já estava fortemente estabelecida e o primeiro passo para a domesticação estava dado. Para o homem que enfrentava a nova vida pós era do gelo e pós nomadismo, os instintos dos lobos na caça, na proteção do território, na lealdade e no pastoreio seriam complementares e poderiam ser essenciais à sobrevivência da espécie humana.

Segundo Fogle (2006), Dmitry Belyaev um famoso geneticista russo, demonstrou através de um experimento iniciado nos anos 50 com raposas como é simples e rápido modificar e adaptar comportamentos animais.

Assim, Dmitry Belyaev (Anexos, figuras: 6 e 7) escolheu dentre algumas ninhadas que eram utilizadas na indústria da pele, filhotes de raposa que tinham menor medo ao serem tocados ou que vinham mais facilmente lamber sua mão, em outras palavras o cientista procurou por filhotes que mantinham o comportamento

juvenil. Em menos de dez gerações os animais já se comportavam como domesticados aceitando estranhos, lambendo a mão e choramingando quando sozinhos.

Em poucas gerações, selecionadas por docilidade, Belyaev constatou outras características nestes animais como olhos azuis, pelagem malhada, comportamentos como o abanar da cauda constante e a submissão. Assim, o cientista “criou” o comportamento de eternos filhotes o que é amplamente observado em diversas raças de cães.

COMO A SELEÇÃO NATURAL E A SELEÇÃO ARTIFICIAL INFLUENCIARAM NA FORMAÇÃO DO CÃO DOMÉSTICO

Se hoje, temos uma enorme variedade de raças e linhagens foi graças às seleções naturais e artificiais. Como mencionado anteriormente, a domesticação do lobo foi crucial para o sucesso da sobrevivência do homem na pós era do gelo. A aproximação destes animais às colônias humanas, por qualquer que tenham sidos os motivos, possibilitou o nascimento de filhotes já adaptado à presença dos homens, esses lobos já não se sentiam mais ameaçados na presença do homem e geração após geração os filhotes ficavam cada vez mais mansos.

Para Otto, (2006, p. 115) “a seleção natural atua favorecendo os animais que tenham maiores vantagens em determinado ambiente deixam descendência maior que os outros, assim, a tendência da existência destes genes na população é grande. Já na seleção artificial os indivíduos que se reproduzirão serão aqueles selecionados por características julgadas importantes pelo homem.”

Segundo Darwin (1859) “se qualquer modificação, por menor que seja de hábito ou de estrutura trouxesse algum benefício para um lobo, este teria muito mais oportunidade de sobreviver e deixar descendência. Dentre os filhotes, alguns provavelmente herdariam os mesmos hábitos ou características estruturais e, pela repetição desse processo poderiam formar uma nova variedade capaz de suplantar a espécie ancestral e coexistir juntamente com ela.”

A domesticação do lobo é um dos exemplos de seleção natural. Os lobos mais mansos, neste caso, eram aqueles que estavam em vantagem naquele ambiente próximo às colônias humanas e por isso, provavelmente, eram os que deixavam maior descendência passando os genes à geração subsequente.

Os filhotes dos lobos eram adoráveis como os filhotes dos cães domésticos atuais e os homens começaram a capturá-los. A partir desse momento o homem interferiu na seleção natural e iniciou o acasalamento dos animais para que esses desempenhassem tarefas. Desta maneira o homem, selecionou os lobos artificialmente deixando que se reproduzissem somente aqueles animais que detinham características julgadas desejáveis ou importantes, tais como: velocidade, pastoreio, guarda etc. A experiência de Belyaev com as raposas revelou que o processo de domesticação não é tão demorado e que a partir de poucas gerações observam-se resultados.

Décadas a fio de seleção, tornaram esses animais completamente diferentes do seu ancestral, com padrões de pelagens diferentes e principalmente, com o comportamento diferenciado. Cada animal era selecionado para uma função específica e aqueles que se sobressaíssem seriam pais da próxima geração. Essa diferenciação de funções foi o início da formação das raças, sendo que, os animais que possuíssem comportamento, pelagem e funções similares formariam uma única raça. Com o passar do tempo tais atividades levaram à criação de exposições das diversas raças de cães atualmente existentes.

Entusiastas e admiradores de algumas raças formaram clubes que se dedicaram à promoção e a excelência de determinadas raças, assim no século XIX surgiriam as primeiras organizações de registro de animais com raça pura, os kennel clubs. As raças com pedigree podem ser registradas nestes clubes, os quais mantêm registros genealógicos que documentam as linhagens das raças. Estes clubes dividiram os cães em grupos, cada um estabeleceu um tipo de divisão. A Confederação Brasileira de Cinofilia divide os cães em 11 grupos, abaixo definidos:

1º GRUPO – Cães Pastores e Boiadeiros – exceto os Boiadeiros Suíços;

2º GRUPO – Cães do Tipo Pinscher, Schnauzer, Molossos e Boiadeiros Suíços;

3º GRUPO – Cães Terriers;

4º GRUPO – Cães Dachshund;

5º GRUPO – Cães do Tipo Spitz e do Tipo Primitivo;

6º GRUPO – Cães Sabujos e de Pista de Sangue – Caça;

7º GRUPO – Cães de Aponte – Caça;

8º GRUPO – Cães Recolhedores, Levantadores e d’água – Caça;

9º GRUPO – Cães de Companhia;

10º GRUPO – Cães Lebréis ou Lebreiros – Galgos;

11º GRUPO – Cães de Raças em Reconhecimento, como por exemplo, o American Pit Bull Terrier e o Cane Corso.

Com a mudança dos hábitos humanos ocorreu uma troca de papéis, cães que antigamente desempenhavam certas funções hoje possuem qualidades novas como cães de estimação, havendo evidentemente exceções como, por exemplo, os cães Pastores Alemães (Anexos, figuras: 9, 10 e 11) que ainda trabalham em parceria com policiais. Já os Labradores (Anexos, figura: 15), que antigamente auxiliavam caçadores, atualmente ajudam pessoas com as mais variadas deficiências físicas eou mentais. O poderoso olfato dos Beagles (Anexos, figura: 8) e dos Bloodhounds (Anexos, figuras: 12, 13 e 14) é largamente explorado em vários setores como os esquadrões anti-bomba e o anti-drogas, bem diferente do passados destes cães ao lado de caçadores. O caricato Bulldog Inglês é dono de um passado violento e sangrento, sendo quase extinto por suas características de lutador na época. Hoje, através da seleção artificial, a raça é apenas uma sombra do seu passado cruel e qualquer traço do antigo lutador permanece oculto.

O PASSADO OBSCURO DO BULLDOG INGLÊS

O Bulldog, mais conhecido como Bulldog Inglês mudou muito desde o seu nascimento em um passado ainda pouco conhecido, sabe-se apenas que a raça surgiu no século XIII a partir de cães do tipo molosso. Esses cães do tipo molosso eram altamente resistentes à dor, fiéis e com características físicas pronunciadas, como o corpo pesado, peito largo, chegando aos 80 kg ou mais. Temos exemplo de algumas raças como o Cane Corso (Anexos, figura: 17), o Mastim Napolitano (Anexos, figura: 18) e os antigos Mastiff’s (Anexos, figura: 16) de guerra, amplamente utilizados por povos da antiga Roma e Grécia.

Uma das teorias mais aceitas e difundidas é a de que o Bulldog Inglês foi criado e desenvolvido nas Ilhas Britânicas, exclusivamente para propiciar diversão às pessoas em um dos “esportes” mais tenebrosos que já existiu, tanto para o cão quanto para o touro, o Bull baiting. Essas lutas cruéis e selvagens perduraram do século XIII ao século XVIII, e só foram abolidas com o decreto do Duque de Devonshire em Staffordshire no ano de 1778. Porém, infelizmente não foi o fim da utilização da raça Bulldog Inglês como uma máquina de luta, esses animais foram amplamente utilizados em lutas contra ursos, leões, macacos, ratos e qualquer outro animal que a população inglesa pudesse colocar em uma arena fechada.

Antes da popularização do Bull baiting existiu outro “esporte” quase tão difundido e popular quanto este, o Bull running, que também utilizou como principal atração cães da raça Bulldog Inglês. A modalidade consistia em soltar um touro em um pasto ou em uma arena e deixar que as matilhas de Bulldogs perseguissem e caçassem o animal.

Assim, Bull baiting (Anexos, figuras: 19 e 20) consistia em uma luta de um ou de vários cães contra um touro. Segundo Casotti, (2001) “o touro ficava amarrado e o cão rastejava em sua direção. Enquanto o touro ficava com a cabeça abaixada tentando enfiar os chifres na parte ventral do cão para jogá-lo bem alto e feri-lo na aterrissagem, o cão por sua vez atacava tentando agarrar suas narinas, o lugar mais sensível do touro. Quando obtinha resultado não soltava mais, neste caso era necessária a ajuda de alguns homens para desvencilhar o cão do touro através de pedaços de pau, chamados na época de breaking stick, colocados em sua mandíbula para abri-la com força ou cortava-se um pedaço das narinas do touro.”

Os bulldogs utilizados nessa bárbara prática divergiam dos animais de hoje apenas em tamanho, eram animais mais altos e fortes, alguns autores relatam também diferença de prognatismo menos acentuado com relação aos animais de hoje.

Pouco tempo depois da proibição do Bull baiting, uma nova luta rapidamente tomou seu lugar e popularidade, o Bear baiting. Esta modalidade de luta consistia na mesmíssima coisa que a anterior, porém com a substituição do touro pelo urso. Devido ao custo de importação e mantença de um animal como um urso o “esporte” gradualmente desapareceu.

Felizmente alguns entusiastas da raça se interessaram em mantê-la viva após a proibição de todos os tipos de luta contra animais. Não muito tempo depois do término dos combates os cães começaram a serem exibidos em exposições. No final do século XVIII e início do século XIX os animais exibidos nestas exposições eram de qualidade inferior, algumas vezes até com mutilações e muitas qualidades dos cães de luta ainda permaneciam incrustadas. Segundo Dickerson, M. (2009), “os animais possuíam crânios pequenos, narizes longos e nenhuma ruga cobrindo a cabeça. Eles eram extremamente “aleijados” e na maioria das vezes considerados sem saúde”.

Muito antes da criação do English Kennel Club foi fundado o Bulldog Club que começou a trabalhar com a criação artificial desses animais. Começaram retirando ao longo da seleção dos cães qualquer traço que lembrasse seu passado de lutador de arena. O Bulldog Club foi a primeira instituição a desenvolver um padrão oficial para a raça em 1859, os créditos dos primeiros desenhos do padrão adotado eram de Jacob Lamphier. Alguns dos pedigrees que formaram a base da raça ainda podem ser encontrados e alguns dos cães que influenciaram diretamente na formação do Bulldog atual foram: Monarch, Donald, King Dick, Old King Cole, Crib, Rosa (Anexos, figura: 24), Thunder, Sir Anthony (Anexos, figura: 22), Brutus, Sancho Panza e Byron (Anexos, figura: 21).

Criadores dos Estados Unidos se interessaram pela criação da raça e começaram a importar cães e exibi-los em suas exposições. O campeão Pugilist foi um dos Bulldogs de grande importância para a criação nos EUA.

Criadores dedicados desenvolveram na raça tudo que hoje é extremamente apreciado pelos donos desses cães e totalmente oposto ao seu passado de lutadores de arena através da seleção artificial, a dedicação e o amor pelos donos faz do Bulldog Inglês (Anexos, figura: 23) um dos cães mais apreciados para companhia.

SELEÇÃO ARTIFICIAL X BULLDOG INGLÊS

Através de um período extenso é comum observar uma raça evoluir para um cão totalmente diferente do seu ancestral. No caso específico do Bulldog Inglês poucos atributos dos seus ancestrais ainda podem ser encontrados nos cães atuais, principalmente as que se referem às características estruturais destes animais. A anatomia do Bulldog Inglês (Anexos, figura: 25) atual é bem diferente do seu ancestral, o cão atual além de possuir um peso maior, ser mais robusto e atarracado possui também uma cabeçorra enrugada com um focinho bem mais curto e achatado, e em seu dorso encontramos uma linha ascendente em direção à garupa, os membros posteriores são mais altos em relação aos anteriores que podem gerar sérios problemas nas articulações.

Provavelmente não exista uma raça que tenha mudado tanto em temperamento e em comportamento como o Bulldog Inglês. A raça foi transformada em um maravilhoso animal de companhia que realmente ama estar perto das pessoas. Sua coragem e lealdade às pessoas os fazem animais incompatíveis com a vivência em canis, estes animais precisam da companhia dos “humanos de estimação” e não podem ser deixados isolados em um canto.

Outra raça, o American Pit Bull Terrier (Anexos, figuras: 26 e 27), ainda está passando pelo processo de aceitação e desmistificação que um dia o Bulldog Inglês também passou. Estas duas raças partilham o mesmo passado cruel e a má sorte de terem caído em mãos de pessoas inescrupulosas. Há uma divergência temporal nas duas trajetórias das raças, mas a selvageria humana continua presente na vida destes animais que não tem culpa alguma de terem nascido ou caído em mãos erradas. Assim como os amantes do Bulldog Inglês que no passado não deixaram

que a raça se extinguisse, muitos amantes e criadores responsáveis pela raça American Pit Bull Terrier não deixarão que esta seja banida e ou punida pela sociedade.

O Bulldog Inglês, mais do que outras raças, sofreu uma tremenda influência da seleção artificial, o cão que vemos hoje nas ruas pouco se parece com o das arenas de antigamente. Porém, essa seleção não trouxe apenas bons resultados, essa raça é acometida por algumas doenças que podem ser ligadas diretamente à seleção artificial.

Os partos das fêmeas da raça, geralmente são feitos por cesariana devido ao crânio massivo dos filhotes não conseguirem passar através do canal do parto. Já as montas raramente ocorrem de maneira natural, os machos são muito pesados em relação às fêmeas e naturalmente não conseguem montá-las sem o auxílio para a realização da cópula.

Além dos problemas relacionados à reprodução, a raça também é extremamente propensa a problemas relacionados ao calor. No auge do verão brasileiro estes cães requerem atenção redobrada para não entrarem em um quadro chamado de hipertermia ou heat stroke que consiste no aumento da temperatura corporal excessiva, respiração rápida, desorientação, saliva grossa e em alguns casos até desmaios. Um animal que apresente um quadro como este deve ser levado com urgência ao veterinário, pois o agravo do quadro pode levar o cão a óbito. Os passeios diários com a raça devem restringir-se às horas mais amenas do dia, como o início da manhã e à noite. A raça é conhecida por seu apetite voraz e deve-se ter muito cuidado com a alimentação destes cães para não torná-los obesos, pois o quadro de obesidade acarretaria vários problemas de saúde considerados graves.

As rugas localizadas na cabeça merecem atenção especial, pois podem causar problemas retendo umidade e calor, quando situadas na testa, costumam empurrar as pálpebras superiores para dentro dos olhos levando os cílios a ferir a córnea. Como são demasiadamente próximas ao focinho podem pressionar e obstruir o canal lacrimal. De todas as peculiaridades da raça, o achatamento facial é um dos fatores que mais preocupam, entrando para a lista das características anatômicas mais problemáticas do Bulldog.

As complicações da raça se estendem por uma lista extensa devido ao achatamento facial. O focinho curto, por exemplo, interfere diretamente na capacidade do cão em respirar e transpirar, resultando dessa anomalia a tendência da raça de entrar em hipertermia, que pode ser fatal. Interferindo inclusive na aplicação de anestesias, obrigando a ser mais longa e demorada a recuperação destes após qualquer procedimento de anestesia. Os filhotes neonatos, devido ao focinho curto, podem aspirar ao leite materno e morrer engasgados.

O palato mole destes cães costuma ser maior do que deveria e desproporcional à cavidade sustentada pelo focinho, esse prolongamento em excesso pode gerar certo bloqueio na laringe, ou seja, estes cães ao se excitarem em brincadeiras poderão obstruir a passagem do ar.

CONCLUSÃO

Em 2009, a mídia, os amantes de cães e os cinófilos foram bombardeados com um documentário que mudaria a forma de enxergar a criação e exposições de cães de muitas pessoas. Ao fim do documentário estas pessoas passariam a criticar a forma de criação de alguns criadores que preconizam a beleza, o extremismo e não a saúde. Foi ao ar no Animal Planet um documentário chamado “Segredos do Pedigree”. O Bulldog Inglês foi apenas uma das “raças-vítimas” exibidas e comentadas no documentário que teve a duração de uma hora.

Se pensarmos no modelo de cão mais próximo dos lobos seriam os Dingos da Austrália estariam nessa condição, se ainda considerarmos a proximidade com seu ancestral estes animais seriam os mais saudáveis e veríamos o absurdo que alguns criadores ainda fazem com a seleção dos seus cães. O documentário “Segredos do Pedigree” está longe de ser exagerado e inverídico, este nos revela o que está acontecendo com a raça Bulldog Inglês há décadas, e pode levá-lo a uma catástrofe sem proporções se não for contida enquanto há tempo. A situação do Bulldog é grave e na maioria das vezes é agravada pela irresponsabilidade de maus criadores que sustentam o comércio das fábricas de filhotes.

O barulho mundial causado pela exibição do documentário acelerou mudanças no padrão da raça que agora pede moderação nos quesitos mais problemáticos (da raça): o crânio não será mais descrito como “grande na circunferência” e sim relativamente grande, as rugas pedem moderação, a face não será mais curta e sim relativamente curta, a ruga do focinho não poderá afetar ou ocultar prejudicialmente os olhos e narinas, esta será penalizada e inaceitável caso seja pesada demais. Quanto às pernas posteriores, antes descritas como “proporcionalmente mais longas que as anteriores a fim de levantar o lombo” são agora descritas como levemente mais longas.

Muitos criadores sérios e responsáveis já estão há algum tempo se preocupando com o comedimento na aparência do Bulldog, o animal exagerado e caricato não é mais privilegiado e reproduzido.

Nick Jeffery, PhD em Medicina Veterinária e professor da Universidade de Cambridge na Inglaterra, alerta que as mudanças realizadas podem ter caráter político a fim de agradar a mídia e às sociedades protetoras dos animais desviando o foco do assunto ou é possível, e todos esperam que essa seja a real proposta, que as mudanças tenham sido realizadas na tentativa de minimizar os problemas que acometem a raça.

Política ou não o importante é que a mensagem foi divulgada, o padrão da raça será suavizado. Ninguém sabe quanto tempo levará para que os efeitos sejam realmente visíveis, mas o pontapé inicial foi dado e está a cargo de cada árbitro de exposição, de cada dono e de cada criador a responsabilidade de tornar estes cães mais saudáveis. Se cada árbitro e juiz deixarem de consagrar cães com traços anatômicos desfavoráveis, é possível que estes se tornem cada vez menos comuns em exposições, e conseqüentemente menos filhotes nascerão com tais traços e o ciclo será rompido, demonstrando assim, toda a beleza que a raça possui. (Anexos, figura: 28 e 29).

PAULA CHICONI DACUNTO DOS SANTOS

BIBLIOGRAFIA

CÃES ANUÁRIO 2010. Sâo Paulo: Janeiro, 2010. – Revista Anual. Ed. Minuano.

CASOTTI, P. J. American Pit Bull Terrier: Desfazendo mitos e preconceitos. São Paulo: Nobel, 2000.

DARWIN, C. A origem das espécies. São Paulo: Martin Claret, 2007.

DICKERSON, M. Bulldog: A comprehensive guide to owning and caring for your dog. New Jersey U.S.A: Kennel Club Books, 2003-2009.

FOGLE, B. Guia ilustrado Zahar: Cães. Tradução de Bianca Bold. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.

GUIMARÃES, H. Descoberto cão doméstico mais velho do mundo. Disponível em: <http://colunas.globorural.globo.com/planetabicho/2010/08/03/descoberto-cao-domestico-mais-velho-do-mundo/>. Acesso em: 18 out 2010.

HALL, D. Raças de cães. Tradução de Zita Morais. Lisboa: Regency publishing limited, 2007.

MEDEIROS, G. Bulldog um cão de sofá… Será? Disponível em: <http://bullblogingles.com/2010/03/04/bulldog-um-cao-de-sofa-sera/>. Acesso em: 7 jul 2010.

OTTO, P. G. Genética básica para veterinária. 4º Ed. São Paulo: Rocca, 2006.

REVISTA CÃES & CIA. São Paulo: Dezembro, 2009 – Revista Mensal. ISSN 1413-3040. Bulldog: a polêmica sobre sua aparência, p. 20.

REVISTA NATIONAL GEOGRAPHIC. São Paulo: Janeiro, 2002 – Revista Mensal. A evolução dos cães, p. 28.

RICHARD, B. A pocket guide to dogs: A complete guide to all the popular dog breeds. U.K: Parragon Publishing Book, 2006.

ROBERTS, T.; MCGREEVY, P.; VALENZUELA, M. Human induced rotation and reorganization of the brain of domestic dogs. Disponível em: <http://promega.wordpress.com/2010/08/09/from-gray-wolf-to-bulldog-changes-to-the-dog-brain-as-humans-reshape-it-head/>. Acesso em: 15 agosto 2010.

SEGREDOS DO PEDIGREE parte 1. Disponível em: <http://mais.uol.com.br/view/wkgk9rozkklc/segredos-do-pedigree-parte-1-0402336CE4B98346?types=A&>. Acesso em: 29 jul 2010. Vídeo online.

SEGREDOS DO PEDIGREE parte 2. Disponível em: <http://mais.uol.com.br/view/wkgk9rozkklc/segredos-do-pedigree-parte-2-0402376CE4B98346?types=A&>. Acesso em: 29 jul 2010. Vídeo online.

SEGREDOS DO PEDIGREE parte 3. Disponível em: <http://mais.uol.com.br/view/wkgk9rozkklc/segredos-do-pedigree-parte-3-0402346EE4B98346?types=A&>. Acesso em: 29 jul 2010. Vídeo online.

SEGREDOS DO PEDIGREE parte 4. Disponível em: <http://mais.uol.com.br/view/wkgk9rozkklc/segredos-do-pedigree-parte-4-0402366EE4B98346?types=A&>. Acesso em: 29 jul 2010. Vídeo online.

THE EVOLUTION OF THE DOGS. Disponível em: <http://animals.howstuffworks.com/pets/dog.htm>. Acesso em: 15 agosto 2010.

BIBLIOGRAFIA DAS IMAGENS:

Figuras 1, 2, 3, 4, 10, 15 e 18 disponíveis em: <www.wikimedia.org> Acesso em: 10 de outubro, 2010.

Figuras 6 e 7 disponíveis em: <www.8e.devbio.com> Acesso em: 3 de outubro, 2010.

Figura 8 disponível em: <www.msnbcmedia.com> Acesso em: 10 de outubro, 2010.

Figura 9 disponível em: <www.newsblaze.com> Acesso em: 26 de setembro, 2010.

Figuras 11, 12, 19, 23, 27 e 28 disponíveis em: <www.corbis.com> Acesso em: 28 de outubro, 2010.

Figura 13 disponível em: <www.cityroom.blogs.nytimes.com> Acesso em: 23 de outubro, 2010.

Figura 14 disponível em: <www.pbs.org> Acesso em: 10 de outubro, 2010.

Figura 16 disponível em: <www.dogdirecx.blogspot.com> Acesso em: 10 de outubro, 2010.

Figura 17 disponível em: <www.piratesdencanecorso.com> Acesso em: 31 de outubro, 2010.

Figura 20 disponível em: <www.whiteknightabs.com/images/bullbaitpicweb_american_bulldog_old_southern_white_white_english_bulldog> Acesso em: 31de outubro, 2010.

Figura 21 e 22 disponíveis em: <www.sutusbulldogs.co.uk> Acesso em: 30 de outubro, 2010.

Figura 26 disponível em: <http://photobucket.com/images/Caragan/Kennel/> Acesso em: 30 de outubro, 2010.”

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Gilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei

Expectativa de vida. Quem é o culpado?

Foto: Dirk Boos

Ainda sobre a expectativa de vida de nossos Bulldogs, suas causas e possíveis prevenções, aproveito o assunto para registrar a grande importância do trabalho realizado pelo criador do qual será adquirido o filhote e novo membro da família.

Muito mais que reproduzir cães e gerar filhotes, o criador sério e verdadeiramente comprometido com a raça deve ter como pilar de seu trabalho a saúde dos cães que compõem o seu plantel, preocupação que merece ser sublinhada em se tratando da raça Bulldog, um cão com “anomalias” e “peculiaridades”, muitas delas na contramão daquilo que poderíamos considerar ideal quando pensamos em saúde e qualidade de vida de qualquer cão.

O Bulldog moderno – e isso, infelizmente, ainda é do conhecimento de poucos – é um cão que prima pelo temperamento dócil, pela saúde, pela elegância e harmonia de formas.

Porém, ainda vemos uma grande desinformação das pessoas e o uso indevido desse senso comum equivocado por parte de pretensos criadores preocupados exclusivamente com o comércio de filhotes.

Esse Bulldog, cujo “modelo” está ultrapassado, é um cão esteriotipado, com excesso de rugas e formas exageradas, e ainda se vê sendo criado e reproduzido como típico e fiel representante da raça.

Para que o internauta possa visualizar melhor, o Bulldog a que me refiro mais se assemelha a um filhote de Sharpei em termos de rugas no corpo e principalmente na cabeça. O tamanho do crânio está em desarmonia às demais partes do corpo. É “rebaixado”, com exagerada abertura de peito, e ostenta, no lugar do que deveria ser a linha elegante e suave de um topline, uma montanha russa que despenca dos quartos em direção à cernelha. Não tem pescoço, dando a impressão de que a cabeça está atarraxada ao corpo. Possui grande dificuldade respiratória, em constante ofegar, com “metros” de língua para fora. E, por fim, a trufa pequena e as narinas apertadas completam o quadro da dor de um a animal que sofre para viver.

Nem precisamos falar dos inúmeros problemas de saúde, inicialmente ocultos, que tais Bulldogs poderão desenvolver num futuro próximo, pois seus “criadores”, via de regra, não tiveram qualquer critério seletivo na escolha dos genitores.

Certamente estes falsos criadores são os principais CULPADOS pela baixa expectativa de vida ainda ostentada pela raça.

Por isso, não espere que o filhote levado para casa possua qualidades ou uma saúde melhor/diferente daquela herdada de seus pais.

Antes do ingrediente emoção, use uma boa dose de razão:

a) Jamais adquira seu Bulldog em feiras de filhotes, classificados, sites de venda de mercadorias ou através de qualquer outro meio onde o contato direto com o criador seja ocultado/dificultado;

b) Procure conhecer os cães, as instalações e o trabalho desenvolvido pelo criador antes de decidir onde comprar o seu filhote;

c) Fuja das barbadas, preços de ocasião, liquidações e quaisquer outras ofertas assemelhadas;

d) Pergunte, informe-se e tire todas suas dúvidas. Bons criadores farão questão de passar o máximo de informações sobre a raça e sobre o filhote que está sendo adquirido.

Estar informado e escolher um criador ético e responsável, antes de escolher o filhote, são as grandes armas com quais se poderá melhorar não apenas a longevidade da raça mas a qualidade de vida de nossos queridos Bulldogs.

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Gilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei

O que todos nós queremos para o Bulldog!!!

O vídeo abaixo está linkado no site do The British Bulldog Club (http://www.britishbulldogclub.co.uk/intro.html) como uma “resposta” aos inúmeros problemas de saúde que vêm sendo atribuídos, até mesmo de forma genérica e irresponsável, à RAÇA Bulldog desde o Programa Segredos do Pedigree e que acabaram por pressionar o The Kennel Club a efetuar algumas atualizações no padrão da raça. Infelizmente o que alguns meios de comunicação “esquecem” de dizer é que muitas das alterações no padrão da raça estão apenas refletindo o que já é uma realidade entre  os criadores que são referência tanto “lá fora” como aqui no Brasil. O Bulldog moderno é um cão que deixou pra trás muitos dos aspectos esteriotipados da raça. A melhoria da saúde dos Bulldogs também é uma realidade, prova disso é o crescimento da raça no mundo todo. A grande melhora no quesito respiração dos Bulldogs, como mostra o vídeo do Canil Hillplace (Inglaterra), é também uma realidade para todos aqueles criadores que, assim como nós, trabalham com responsabilidade e querem o melhor para o Bulldog!!!

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Gilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei

Doenças da Região Perianal

As doenças da região perianal (porção logo abaixo da cauda) são muito comuns nos cães atingindo-os em qualquer idade, animais de qualquer raça e ambos os sexos. Um dos problemas comumente vistos é a saculite. Este problema consiste na inflamação dos sacos anais que são estruturas localizadas ao redor do ânus produtoras de uma secreção extremamente mal cheirosa expulsa durante a defecação ou em momentos de estresse (por exemplo, quando é contido para algum procedimento como vacinação). A função da secreção eliminada é a lubrificação das fezes e é indicativo para outros cães de situações de perigo ou estresse. Em muitos casos ocorre obstrução dos ductos que levam a secreção para o exterior ocasionando infecção e inflamação do local. Os sinais observados incluem dificuldade de defecar, dor no local, fístulas locais (pequenos orifícios por onde drena secreção de odor desagradável), lambedura da cauda, correr atrás da cauda. O tratamento vai depender da evolução da infecção, grande parte é tratada com compressão do local pelo veterinário e medicações prescritas. Se ocorrer resistência do problema a indicação é cirúrgica com remoção dos sacos anais.

Outro problema comum que acomete a região perianal é a fístula perianal que inclusive pode ser um sinal da doença anteriormente descrita. O médico veterinário vai determinar se um problema tem correlação com o outro. A fistula consiste na formação de pequenos orifícios por onde se vê secreção purulenta clara ou escura saindo. Geralmente acomete mais machos que fêmeas em qualquer idade. Os animais alteram seu comportamento com corridas desesperadas, lambedura do local, presença de sangue nas fezes, dor local e impacientes para afagos na região da cauda. O tratamento medicamentoso é bastante longo e muitas vezes não serve de resolução para o problema, então parte-se para o procedimento cirúrgico de retirada dos tecidos comprometidos do local.

A causa desses problemas ainda não esta bem esclarecida, cogita-se bastante a possibilidade de ser uma alteração auto-imune, por isso o tratamento clínico muitas vezes não traz bons resultados. Uma tentativa de reduzir a incidência do problema é fazer o esvaziamento dos sacos anais periodicamente. Por exemplo, quando o animal for tomar banho no petshop, solicitar ao veterinário para que faça a compressão do local, evitando assim acúmulo da secreção no local. Essa não é uma forma segura de evitar a inflamação do saco anal, no entanto é uma tentativa de não permitir com que a doença se manifeste com muita intensidade. A observação do comportamento do animal também é importante, verificar se esta defecando normalmente ou com dificuldade, se passou a realizar corridas súbitas e rápidas, se está correndo atrás da cauda, entre outros. Se sinais estranhos se manifestarem o indicado é procurar o quanto antes auxilio veterinário a fim de evitar o agravamento do problema.

Leia mais aqui.

Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre. Contato: vivianesd@bol.com.br

Revista Virtual Cães & Cia

Encontrei no site Cães & Cia uma revista virtual só sobre Bulldog Inglês. Embora seja meio chato para ler, está bem interessante, vale a pena conferir!! Clique aqui para ver.

Dirofilariose – “verme do coração”

O verme do coração é um parasita chamado dirofilária, daí a origem do nome da doença. A dirofilária se desenvolve dentro do coração do cachorro e pode ter até 35 cm de comprimento.

Quando o verme habita o coração do cão, o sangue fica com dificuldade para circular, dessa forma o orgão tem que se esforçar além do normal, porque precisa trabalhar mais para cumprir suas funções. Isto acarreta em dilatação do músculo cardíaco, enfraquecendo-o. Em um estágio mais avançado da doença o cão apresenta cansaço, dificuldade de respirar, perda de peso, tosse, falta de ânimo e abdômen grande.

A dirofilária é transmitida ao cão através da picada de um mosquito infectado. O mosquito infecta-se ao picar um cão contaminado. É possível o animal estar contaminado pelo verme durante anos sem apresentar nenhum sintoma, mas o problema é que quando os sinais da doença aparecerem, ela já está em uma fase avançada.

A prevensão é a melhor forma de evitar a dirofilariose. Há medicamentos que impedem o desenvolvimento da doença matando as larvas que contaminam o cão. Alguns vermífugos ou remédio de controle anti-pulgas possuem efeito contra as larvas jovens. O Cardomec é uma ótima opção para quando o cão vai passear em um lugar considerado de risco.

O litoral é considerado uma área de risco, logo animais que moram ou freqüentam a praia devem estar prevenidos desde filhotes. Há outras áreas com a doença, por isso é importante informa-se com o veterinário sobre a necessidade de medicar o seu cão.

O tratamento para a “doença do coração” existe, mas a recomendação é diagnosticar antes dos sintomas estarem presentes. Há exames que constatam a presença de larvas jovens da dirofilária (microfilárias) na corrente sanguínea, e sempre que larvas jovens são detectadas significa que existe um verme adulto. Nesse momento o tratamento deve ser iniciado, mas mesmo eliminando o verme, os danos causados no coração podem ser irreversíveis.

Não esqueça: a prevenção é o melhor remédio!!!

O que eu faço para proteger meu bulldog?

Sempre que vou para a praia dou Cardomec para minha bull. Cardomec é um vermífugo com sabor de carne, que previne contra o verme do coração e os principais vermes intestinais.

Características do produto:

* À base de ivermectina, substância que atua na prevenção do verme do coração (dirofilariose canina), e pamoato de pirantel, que age sobre os principais vermes intestinais
* Pode ser administrado em fêmeas gestantes, filhotes a partir de 6 semanas de idade e cachorros das raças collies
* Três apresentações conforme o peso do seu cachorro
* Tabletes de alta palatabilidade: o cachorro vem pegar na mão!

Displasia Coxofemoral

A displasia coxofemoral (DCF) no cão tem vários fatores desencadeantes, sendo a hereditariedade o mais conhecido. Fatores ambientais também colaboram para o aparecimento do problema, principalmente pisos lisos. A raça do cão é um fator importante no modo como a displasia se desenvolve.

Pode ocorrer com alguns cachorros jovens uma forte manqueira após exercícios ou caminhadas, mas também é possível uma repentina diinuição das atividades e o surgimento de uma sensibilidade nos membros pélvicos. É possível algumas alterações ósseas desaparecerem na maturidade esquelética, estes são considerados animais assintomáticos, isto é, aqueles que não apresentam uma dor significativa.