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Vem aí 16ª Edição da Revista Bulldog Show!

15 ª Edição

Pessoal, interessados em anunciar na BULLDOG SHOW 16, favor enviar e-mail ou mensagem inbox.
revista@bulldogshow.com.br

Segue link com a última edição online da revista:

http://www.youblisher.com/p/1009627-Revista-BULLDOG-SHOW-E…/

Demodex, parece mas não é…

O tema envolvendo o ácaro demodex canis na raça Bulldog é, na maioria das vezes, mal interpretado, ocasionando diagnósticos equivocados, dores de cabeça e atrito entre criadores e proprietários.

Antes de qualquer coisa, é importante registrar que o presente artigo é baseado principalmente na minha experiência como criador e se refere especificamente à ocorrência do demodex canis na raça Bulldog.
De início, vale registrar que a sarna demodécica apresenta duas formas distintas, a juvenil localizada e a adulta generalizada.
A maioria dos casos de diagnóstico errôneo e precipitado refere-se à forma juvenil e localizada. Esse será o objeto do presente texto.
Um belo dia, o proprietário de um jovem bulldog percebe algumas pequenas falhas redondas na pelagem do seu cão. Ao levá-lo no veterinário, recebe a sentença: “seu cão está com SARNA DEMODÉCICA e precisa ser CASTRADO!” Automaticamente, o proprietário coloca-se na posição de vítima de um criador irresponsável e mau-caráter!
O resultado desse diagnóstico causará stress ao criador, ao proprietário e, principalmente, ao próprio cão, o qual passará a ser visto por seu dono como sinônimo de tristeza e preocupação…
O aspecto primordial da sarna juvenil localizada é possuir uma relação íntima e direta com o sistema imunológico do cão que ainda é jovem, ou seja, menos de 12 meses. Nessa fase da vida, a imunidade do cão estará em franca construção e, portanto, apresentará brechas que o tornarão suscetível a este e outros problemas de saúde próprios da idade (otites, resfriados, pneumonias, giárdia, doenças virais oportunistas, entre outros).
Também caracterizadora da forma juvenil localizada, estão o formato das lesões e sua extensão, sendo comum o aparecimento de uma a cinco falhas redondas no pêlo, geralmente situadas nas regiões da cabeça, pescoço e membros anteriores.
Importante registrar que o demodex canis é um habitante natural da pele de todos os cães do planeta que apresentem sinais clínicos da doença ou não! Então, num exame de raspado cutâneo, em qualquer cão (seja um cão de rua, seja um cão de madame ou cão de raça, não importando a raça), lá estará presente o ácaro, fazendo parte da microbiota, da fauna cutânea, ao lado de outros microorganismos!
Morador da pele, o demodex é extremamente oportunista, aproveitando-se de inúmeras situações para reproduzir-se, consumir o pêlo e com isso causar falhas.
A fase jovem do bulldog e as inúmeras oscilações que o seu sistema imunológico poderá sofrer até a sua completa formação são, da mesma forma, super aproveitadas pelo demodex!
Entre os cães jovens, vê-se uma maior incidência em fêmeas justamente no período que antecede o primeiro cio, quando o organismo sofre uma descarga hormonal muito grande. Nessa ocasião, oportunamente o ácaro poderá se manifestar através de pequenas e localizadas lesões na pele.
O mesmo se pode dizer dos machos que passam pela fase de puberdade. Mesmo sem ter um evento marcante como o cio das fêmeas, no macho há também uma “explosão hormonal”, pois, também nesta idade (de 9 a 12 meses), o cão torna-se apto a reproduzir (maturidade sexual).
De todas as possíveis causas, a imunodepressão causada pelo manejo equivocado é a grande responsável pelo surgimento dos sinais clínicos da sarna demodécica juvenil e localizada na raça Bulldog.
O exemplo clássico é o filhote que sai do canil onde tem uma qualidade de vida ideal (alimenta-se corretamente, dorme, toma sol, faz atividade física, tem a companhia dos irmãos de ninhada e atenção do criador) e vai para sua nova casa. Lá ele passa o dia só, trancado no apartamento, esperando pela chegada de seus donos ao final do dia.
Esse é um fato infelizmente corriqueiro, pois muitos compram o filhote por impulso, sem pesar a responsabilidade e o trabalho demandado. Também nesses casos há a indiscutível irresponsabilidade do “criador” que, ao vender esse filhote e para não atrapalhar o negócio, pinta um quadro extremamente colorido e surreal, onde o filhote é quase auto-suficiente, que não dará qualquer tipo de trabalho, ao contrário, só alegrias ao feliz proprietário. O Bulldog é uma raça de companhia e que gosta e precisa do contato humano para viver feliz e sem stress.
Despreparo, falta de tempo e espaço adequado são as principais dificuldades enfrentadas por quem está pensando em ter um cão de companhia. Ter um pet nestas condições será sempre sinônimo de problemas, que podem se manifestar tanto na via comportamental quanto por meio de inúmeras enfermidades, como é o caso da sarna demodécica juvenil localizada!
Entre outras causas de imunossupressão que podem acarretar um quadro de demodécica estão: desnutrição, traumatismos, ansiedade de separação, fadiga crônica, estro, parto, lactação, parasitismo, crescimento rápido, vacinações, temperaturas ambientais adversas e doenças debilitantes.
Também considerado manejo equivocado, estão os banhos freqüentes a que muitos cães são submetidos… Muitos vão à pet shop uma vez por semana para banho, o que é um verdadeiro absurdo e um atentado à saúde da pele de qualquer cão!
Cumpre lembrar que não estamos diante de uma raça rústica. Ao contrário, o Bulldog é exigente do ponto de vista nutricional e de cuidados!
A forma juvenil e localizada da doença é considerada benigna e, na grande maioria das vezes, não requer tratamento (auto-limitante), havendo cura espontânea, já que a resposta imunológica do cão será capaz de controlar naturalmente a população de ácaros. Isso ocorrerá num período de 2 a 3 meses.
Em 10% dos casos a sarna demodécica juvenil localizada poderá evoluir para a forma generalizada, cujo enfoque, por óbvio, será outro e totalmente diverso.
No caso da forma adulta e generalizada, estaremos sim diante de uma doença grave, com recidiva e de difícil e longo tratamento e que, invariavelmente, irá acompanhar o cão por toda a sua vida. Somente na forma generalizada da doença a castração deve ser indicada como forma de evitar oscilações hormonais e possível reaparecimento dos sintomas clínicos da doença.
Por isso, em se tratando de um cão jovem, com lesões localizadas, jamais se pode adotar o mesmo diagnóstico e protocolo que se teria diante da verdadeira e temida sarna demodécica!
Nessa hora são necessários prudência e bom senso, rever o manejo do cão, questionar-se sobre a qualidade de vida ofertada e aguardar pela resposta imunológica antes de qualquer decisão precipitada, pois aquilo que parece muitas vezes não é!
Para concluir, devemos dizer que muitos cães, incluindo Bulldogs, vêm sendo diagnosticados erroneamente com a sarna demodécica e a partir daí submetidos a tratamentos desnecessários e onerosos. Como bem diz o veterinário Dr. Ronaldo Lucas, uma das maiores autoridades em dermatologia canina no País: “Não é porque você tomou um porre na vida, que pode ser rotulado de alcoólatra.”
Gilberto Medeiros – www.reservadorei.com.br

Nódulo Lingual

Na clínica atendemos vários bulldogs com lesões na cavidade bucal. São os mais variados tipos de problemas, desde cortes até ferimentos causados por espinho de ouriço. Também são comuns alguns tumores bucais, assim como doenças gengivais ou dentárias. Recentemente atendi uma bulldoguinha que apresentava uma lesão lingual, na região bem central da língua, não apresentava sangramento local ou desconforto. Segundo os proprietários apresentava apenas uma salivação mais intensa, mas como isso é bem comum nos bulls, não foi muito valorizado. Muito comumente verificamos sangramentos em lesões bucais e alguns cães diminuem a ingesta alimentar pelas lesões. Alguns também apresentam halitose, ou seja, odor desagradável na boca. Foi-me relatado pelos donos que durante um passeio verificou-se a presença da lesão, quando a bull expos toda a língua em decorrência do exercício.

Os tumores malignos na cavidade bucal abrangem cerca de 6% de todos os cânceres caninos. O carcinoma de células escamosas é o tumor lingual mais comum, tem comportamento maligno e geralmente o local de apresentação é na rafe da língua. Assim gerou-se uma apreensão sobre o nódulo lingual da paciente.

Foi realizada a cirurgia para retirada do nódulo e encaminhamento pra biópsia. Fez-se a retirada do nódulo totalmente, com manutenção de margem de segurança ampla. A língua foi suturada com fio absorvível, assim não necessitando a retirada dos pontos. Recebeu medicações pós-operatorias, antibiótico, antiinflamatório e analgésico e manteve-se alimentação pastosa por alguns dias.

Por volta do décimo dia após a cirurgia os pontos já haviam sido absorvidos e a lesão estava cicatrizada. O resultado da biopsia indicou uma inflamação crônica, não exigindo nenhum tipo de tratamento posterior.


Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre. Contato: vivianesd@bol.com.br

Dica de Leitura Bullblog

Vale a pena dar uma lida na última edição da revista Cães e Cia (nº 398), especialmente em razão da entrevista prestada pelo criador Carlos Albuquerque (Canil Javary – RJ), colaborador do Bullblog e também um de nossos patrocinadores. Diversos aspectos relativos às alterações no padrão da raça, melhorias na saúde e mitos sobre o Bulldog foram devidamente esclarecidos com a maestria própria de quem cria com seriedade e responsabilidade.

 

O seu Bulldog tem PPPP?

Foto Yvonne Axling

Toda vez que entregamos um filhote, tentamos passar o máximo de informações aos proprietários para que ele possa crescer e se desenvolver da melhor forma possível junto à nova família.

Geralmente, o momento que antecede à aquisição do filhote é péssimo para esse fim, pois, com razão, todos estão loucos para ter o filhote em mãos e levá-lo para casa. Então, muitas informações importantes são perdidas/esquecidas.

Tentando achar uma forma de repassar ao menos os cuidados básicos aos novos proprietários de um Bulldog, criei uma regra simples de 4 (quatro) itens, todos eles começando com a letra “P”: PROTEÍNA, PESO, PASSEIO e PISO.

Começamos pela PROTEÍNA, aqui representada basicamente pelo uso de uma ração Premium ou, preferencialmente, Super Premium. A raça Bulldog, além de gozar de um excelente apetite, é exigente quanto à qualidade do alimento. Por isso, nada de economia na hora de escolher a ração. Tudo aquilo que for economizado em nutrição cobrará seu preço em pelagem, desenvolvimento ósseo/muscular, fezes e até mesmo sistema imunológico. Vale lembrar que o uso de guloseimas, embora permitido, deve ser controlado, sob pena desse “extra” acabar competindo/substituindo com o alimento Super Premium. Lembre-se: muito embora perfeitamente adaptado ao nosso estilo de vida, o Bulldog é essencialmente um carnívoro. Então, a palavra de ordem ainda é Proteína!

O PESO ideal está intimamente relacionado com a Proteína e, por isso, será mais facilmente alcançado com o uso de uma ração de qualidade. Sempre brinco com as pessoas que visitam nosso canil que todos os nossos Bulldogs passam um pouco de fome. Se comessem tudo aquilo que têm vontade já teriam morrido ou estariam sofrendo com problemas de saúde em função do sobrepeso. Essa é a realidade do Bulldog, um cão glutão e que ganha peso muito rápido! No caso do filhote, esse tópico merece um destaque maior, pois estamos falando de um cão brincalhão, que cresce muito rápido. O desenvolvimento da musculatura, ossos e tendões nem sempre acompanha o seu ganho de peso. Além desse aspecto, outro que chama atenção é a anatomia peculiar do Bulldog, sendo fato que a quase totalidade dos exemplares possui algum grau de displasia. Então, um filhote acima do peso certamente será um candidato a ter problemas de aprumos ou até desenvolver uma displasia de grau maior com reflexos em sua qualidade de vida. O cuidado com o peso também se aplica aos cães adultos, principalmente em função da respiração, coração e articulações. Enfim, procure uma dieta capaz de manter o Peso ideal em todas as fases da vida de seu Bulldog!

O PASSEIO representa aquela atividade física diária compatível com as limitações da raça. Ter uma rotina de passeios irá trazer muitos benefícios à saúde física e mental do seu Bulldog, a começar pela manutenção do peso ideal. Muitas vezes, apenas uma dieta correta, em quantidade e qualidade, não será capaz de colocar seu Bulldog em forma. Por isso a importância de uma atividade física, respeitando o calor e as limitações de cada cão. O mesmo se pode dizer da parte muscular, pois toda vez que temos um Bulldog forte temos também um cão com menor risco de problemas articulares e com uma melhor condição cardiorrespiratória. Por fim, mas não menos importante, está o stress causado pelo confinamento e o acúmulo de energia, os quais muitas vezes acabam gerando inúmeras patologias físicas e comportamentais. Então, mexa-se, vamos ao Passeio!

Por fim, por ser um cão pesado desde filhote, o PISO não-escorregadio é vital para o perfeito desenvolvimento ósseo e muscular do filhote, pois dará segurança às brincadeiras e atividades físicas. Evite exercícios/brincadeiras com seu Bulldog em locais onde o tipo de piso possa facilitar deslizes e escorregões. O mesmo se pode dizer do uso de escadas, assim como subir e pular do sofá. Se o chão da casa ou apartamento escorrega, mais um motivo para que os exercícios ocorram no pátio ou em parques, de preferência num belo Piso de grama!

Se você conseguir combinar os 4 “P’s” na rotina do seu Bulldog, certamente terá uma cão mais feliz, longevo e com uma melhor qualidade de vida.

giba-criadorcolaborador

Gilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei

Cistite

Nos casos de cistite, ocorre um espessamento da parede da bexiga com inflamação e redução do interior, por isso os cães têm necessidade de urinar com maior freqüência e em pequena quantidade.

A cistite consiste na inflamação da bexiga, é uma vesicopatia muito vista na rotina clínica. Podemos ter várias razões para o seu surgimento:

* origem
bacteriana: a contaminação bacteriana pode ocorrer pela migração de bactérias das fezes para a uretra e bexiga. Muito comuns em fêmeas após o cio e em machos e fêmeas que têm o habito durante a micção de contatar o chão ou outra superfície, assim propiciando a entrada de bactérias.

Também temos algumas patologias renais que podem levar a cistite;

* origem medicamentosa: cães que estão em tratamento com quimioterápicos podem apresentar cistite tanto pela ação do quimioterápico no local quanto pela redução da imunidade;

* secundária a outras doenças: algumas patologias podem ser responsáveis pelo surgimento da infecção como vemos em casos de diabete mellitus que pode gerar um quadro chamado cistite enfisematosa;

* tumores e cálculos: a presença destes pode gerar lesões na parede mucosa da bexiga e propiciar o surgimento da cistite;

* origem fúngica: cães imunodeprimidos podem ser mais suscetíveis à contaminação por fungos e seu crescimento no interior da bexiga.

A cistite pode se apresentar de forma aguda com surgimento repentino ou forma crônica com quadros que se estendem por mais tempo. Os sinais clínicos observados incluem aumento da freqüência de micções, febre, odor desagradável da urina e prostração. Em casos de cistite hemorrágica ou tumores vesicais, a urina pode ser composta na sua maioria por sangue vivo ou coágulos. Em casos de cálculos vesicais a urina pode ter a presença de sangue e de pequenos cristais semelhante à areia.

O diagnóstico é realizado pelo exame clínico do cão, ultrassonografias abdominais e exames de urina e de sangue. Para a cistite bacteriana o tratamento é realizado com uso de antibióticos e exames de controle. Nos casos de cálculos vesicais se faz além da medicação, alterações na dieta com introdução de ração especial e, se necessário, cirurgia para retirada dos cálculos. Quando a cistite é gerada pela presença de tumores, indica-se procedimento cirúrgico e biópsia do material.

O prognóstico da cistite varia de acordo com o caso, mas em geral cistites bacterianas têm resolução simples e rápida, enquanto os tumores têm um prognóstico que varia de acordo com seu tipo e classificação.

A prevenção pode ser feita oferecendo ração de boa qualidade, de preferência sem muitos petiscos e evitando totalmente alimentos humanos. A higiene também é importante, principalmente em fêmeas no cio com limpeza do local e banhos regulares.

Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844

Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre. Contato: vivianesd@bol.com.br

Penso, logo mordo!

Centro de Educação Canina Graciosa Dog Resort

Muitas pessoas possuem uma concepção incompleta e muitas vezes equivocada do que realmente significa uma mordida no mundo canino.

Vamos começar pela infância/juventude dos cães e a vida entre irmãos de uma ninhada.

Filhotes brincam, interagem e se comunicam utilizando o corpo e principalmente a boca.

Nesta fase do desenvolvimento, os filhotes aprendem a modular a intensidade de suas abocanhadas pela reação do irmão.

Se o filhote extrapola em seu jogo e morde forte o irmão, automaticamente recebe como resposta um ganido e a imediata interrupção da brincadeira.

Quando isso acontece, temos também uma reação do ofensor que esboça uma expressão desconcertada de quem pisou na bola e acabou descumprindo as “regras do jogo”.

Também nessa idade se percebem os primeiros sinais dos diferentes perfis comportamentais de cada um dos filhotes e as brincadeiras constituem uma oportunidade para os filhotes testarem suas pretensas posições hierárquicas na ninhada e posteriormente na matilha.

Assim, como todo ser vivo dotado de inteligência, o filhote, independente da raça, irá, enquanto cresce e desenvolve-se, interagir com seu dono da mesma forma com que faria junto aos irmãos de ninhada, sua mãe e/ou cães mais velhos.

Note-se que no caso específico do Bulldog, temos um cão outrora de arena, ou seja, uma raça cuja função originária e primitiva era morder e, queira ou não, esse viés, essa inclinação, está presente também no DNA dos pacatos e companheiros Bulldogs modernos.

Em outras palavras, o uso da boca em todas as fases do Bulldog é mais pronunciado do que em outras raças.

E é justamente por isso que o proprietário precisa compreender o significado da mordida do filhote e saber interagir corretamente para que problemas futuros sejam evitados.

Muitas das reações do proprietário às mordidas agressivas do filhote são totalmente equivocadas e acabam por reforçar/recompensar a conduta indesejada.

Jamais provoque o filhote com jogos violentos usando a mão ou outro objeto como oponente.

Muitas mordidas são, também, formas que o filhote/cão adolescente encontra de chamar a atenção ou extravasar suas frustrações.

Por isso, qualquer tipo de atenção dada ao filhote, positiva ou negativa, após a indesejada mordida, servirá como reforço ao ato de morder.

Assim sendo, nada de comentários do tipo “ai que bonitinho todo brabinho” ou “que feio mordendo a mamãe”…

Aqui se abre um parêntese para registrar que filhotes não são crianças e, por isso, não podemos jamais humanizar essa relação. Buscar conhecer e entender a ótica canina é fundamental para que o convívio seja de companheirismo, respeito e amizade.

Lembre-se que você não conseguirá educar um filhote dando-lhe apenas carinho. É preciso impor regras, limites e restrições.

Em 99% dos casos nos quais o proprietário têm alguma reclamação comportamental do seu cão, tal situação foi causada por erros cometidos pelo próprio dono do animal. Muito mais do que pensar em chamar um adestrador, são os donos que precisam ser “adestrados”, pois desconhecem o cão e o seu papel na vida dele.

O mesmo se pode dizer de todo e qualquer castigo físico como bater com jornal, sacudir pelo cangote, segurar o focinho com a boca fechada ou gritar com o cão.

A melhor reação à mordida forte é interromper a interação com o filhote como aconteceria se  a brincadeira fosse entre dois cães.

Outra alternativa é desviar a atenção e a boca do filhote para objetos e brinquedos apropriados, que possam ser roídos e mordidos à vontade.

Gastar a energia do filhote com atividade física e brincadeiras apropriadas e que não envolvam fortes mordidas é também uma excelente opção, pois energia acumulada e falta de atenção dos donos podem gerar situações em que o ato de morder nada mais é do que um pedido de atenção ou uma válvula de escape.

Por isso, caro leitor, não espere que aquele filhote levado para casa seja como uma máquina que já vem programada para funcionar sempre da mesma maneira. Procure ler, busque informar-se sobre tudo o que cerca o universo e a ótica do cão.

giba-criadorcolaborador

Gilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei

DICA DE SAÚDE!!!

Constantemente surgem perguntas sobre qual o produto a ser usado na hora do banho dos Bulldogs e é por isso que resolvi dividir com os nossos Bullblogueiros, uma excelente dica obtida por ocasião da palestra sobre dermatologia patrocinada pela Royal Canin na 8ª Nacional Abrabull. Além de eficaz, a dica de saúde tem um custo excelente, pois trata-se do uso dos sabonetes “PROTEX” e “DOVE”, um após o outro no mesmo banho. Nossos cães já experimentaram e o resultado foi muito bom!

giba-criadorcolaborador

Gilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei

Refresque o Verão de Seu Cão. Cachorro Quente NÃO!

Segue outro belo artigo da amiga do Bullblog e criadora de Bulldog Francês, Sirley Vieira Velho, alertando para os cuidados com o calor:

São inúmeras as histórias de acidentes envolvendo cães e calor. Muitos frenchies morreram e continuam a morrer todos os anos vitimados pelas altas temperaturas.
Os acidentes ocorrem em toda a parte: em canis, em pet shops, cães sob responsabilidade de pessoas desavisadas e mesmo cães sob os cuidados de zelosos proprietários. Sim, muitas vezes 10 minutos de descuido podem bastar para que um acidente fatal aconteça. Esse assunto, embora muito debatido é sempre oportuno.
Cães tem sistema de refrigeração à água.
Sua temperatura é regulada através da evaporação da saliva. Por essa razão eles ficam ofegantes quando se exercitam ou quando o tempo está quente, assim promovem sua regulação térmica.

 

O que torna um cão  mais susceptível ao calor que outros?
A anatomia dos braquicefálicos faz com que encabecem a lista dos cães que mais morrem pelo calor.

A carinha achatada do Bulldog Francês e seu pescoço curto denota que sua cavidade oral e nasal são mais curtas. Dessa forma lhes resta uma menor superfície de contato com o ar e as membranas ricamente vascularizadas. O ar, normalmente mais frio, ao passar por esse caminho entra em contato com o sangue mais quente e ajuda a resfria-lo. Consequentemente eles tem maior facilidade de aquecer e maior dificuldade em manter sua regulação térmica.
 Os  mais sensíveis merecem cuidados redobrados:
Cães de focinho curto  como Bulldog Francês, Pug, Bulldog Inglês. Embora os Chow Chows não tenham focinho achatado também estão sujeitos a intermação;

Cães de raças gigantes ;  

Cães idosos; 
Filhotes;
Cães de pelagem densa e/ou longa e farta;
Então quer dizer que posso expor outros cães ao calor sem correr riscos?

Não!

Todo o cão precisa ser preservado do calor.

Sabe-se de  Pit Bulls e Border Collies, cães reconhecidamente fortes e ativos, que foram vitimas fatais do hiperaquecimento. Então diante do calor não devemos nunca descuidar de nenhum cão.   
O que posso fazer para evitar e reduzir os riscos de perder meu cão por hipertermia?

Ele precisa estar em ambiente fresco
                                                               

Se costuma ficar dentro de casa utilize ventiladores e ar condicionado.
Proteja seu cão deixando-o sempre à sombra e evitando passeios entre 10 e 17 horas.                           

Nunca recrimine –o por enfiar as patinhas na água. Essa brincadeira poderá ser sua única chance de salvação numa situação de emergência. 

                                                  

Utilize potes de água grandes, de bocas largas  e sempre no maior número que você puder. Se você estiver fora de casa e ele virar um dos potes ainda haverá água disponível.

Evite bebedouros de bilha (do tipo torneira lambe-lambe): além da pequena oferta de água o cão se desgasta e se cansa para beber.

Ensine-o e estimule-o a lamber e brincar com gelo. Você pode valer-se desse artificio para mante-lo com água fresquinha por horas, basta congelar água em copinhos plásticos e colocar no pote dele.

Toalhas de nadador são uma boa opção para refresca-lo dentro carro ou em ambientes onde você não possa molhar o cão.                                     
www.masllovfrenchies.com.br

Banheirinhas ou bacias propiciam momentos relaxantes. Ensine seu BF a brincar e se divertir com a água, vocês dois irão curtir e isso pode valer uma vida. Ele poderá dar vários mergulhos ao dia: é um recurso saudável e recomendável!

Bata frutas não cítricas no liquidificador e produza gostosos picolés para seu amigão

Evite viagens aéreas durante o dia e procure os vôos com menor número de conexões.

Treine o animal para ficar na caixa de transporte bem antes da viagem. Isso evita expo-lo a situação nova que pode deixa-lo ansioso e ofegante.
– Se você possui animais intactos (não castrados) e de sexos opostos fique atento ao mínimo indicio de cio. Nunca deixe-os juntos sozinhos. Um macho percebe o cio muito cedo e a tentativa de monta sem supervisão pode levar macho e fêmea à morte. Machos também podem interpretar piometras e vaginites como cio e tentarem a monta.

- Frenchies podem ser teimosos e um pouco difíceis de treinar, especialmente se tiverem donos inexperientes. JAMAIS utilize o borrifador de água para “educa-los”.

O borrifador deve ser um amigo e um aliado de seu frenchies: são práticos, pequenos e podem servir tanto como bebedouros para os passeios curtos como para uma refrescada rápida enquanto caminham.

Explique a todos que poderão um dia cuidar de seu cão, mesmo que por poucas horas, sobre os riscos dele vir a hiperaquecer. Oriente-os sobre:
como agir para evitar episódios de hipertermia;

como  baixar a temperatura do animal em caso de hepertermia;

procurar auxilio veterinário, mas somente após ter realizado o resfriamento do animal, isso é de suma importância para reduzir o risco de vida. O vet deverá avaliar seu estado e medica-lo a fim reduzir os riscos de danos cerebrais e renais.  
Dipirona não irá resolver! A hipertermia causada pelo calor não está relacionada a nenhum mecanismo tratável com antitérmicos.

No Carro
Eles adoram passear de carro, mas esteja atento:
A temperatura dentro de um automóvel pode aumentar rapidamente, mesmo que o dia não esteja tão quente.
Evite entrar com o cão em um veículo que ficou estacionado ao sol.

Lembre-se de que o ar-condicionado deverá estar ligado.

Leve sempre muita água e toalhas para o caso de ter de refresca-lo mais rápido.

Para viagens mais longas previna-se com uma caixa térmica contendo gelo.
JAMAIS deixe seu cão dentro do carro sozinho, nem por cinco minutos. Carro parado e desligado é sinônimo de cachorro do lado de fora!

- Situações inusitadas podem matar um cão: 

Veja o episódio que aconteceu conosco. Réveillon de 2008,
nós prontos para sairmos de casa, uma noite de calor e umidade excepcionais. Como sempre a queima de fogos começa antes e fagulhas caem em nosso quintal. Um dos cães, ainda filhotão, se encanta e começa a correr atrás das “luzinhas” em movimento. De repente ele se aproxima, já cianótico e grogue, pedindo colo: havia superaquecido com a brincadeira.

A única forma de salvar seu amigo é agir rápido. É importante reconhecer a situação e iniciar imediatamente o resfriamento do animal. Só se dirija ao veterinário após o cão ter recebido o primeiro atendimento por você, isso é primordial. Não perca tempo!
Clique aqui e saiba como reconhecer os sinais e socorrer seu cão.

É bom lembrar:

A hipertermia é sempre um episódio gravíssimo.
Situações onde a privação de água se sobrepõe ao hiperaquecimento são ainda mais sérias e geralmente levam à morte.

Mantenha sempre muita água fresca disponível ao seu cão.

Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre totalmente dependente. O convívio prazeroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.
Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15 anos de vida? Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!

Sirley Vieira Velho
www.skonbull.com

Reprisando: Bulldog no Verão…muita atenção!

Boa Querência Becky - proprietários Diene e Leonardo

Com a chegada do verão e o planeta cada vez mais aquecido, os cuidados com o Bulldog devem ser ainda maiores nessa época do ano.

Antes de mais nada é importante que se trabalhe com a idéia de prevenção, pois no verão qualquer situação de hipertermia pode acabar representando um caminho sem volta para o Bulldog.

Muitas são as causas que facilmente podem levar à morte.

Por isso nunca é demais ter sempre em mente os seguintes cuidados e precauções:

- Viagem/passeio de carro somente com ar condicionado;

- Horários do dia de maior calor, atividade física zero;

- Colocar o Bulldog em uma caixa de transporte e ligar o ventilador na frente é sempre uma excelente alternativa, pois manterá o cão tranquilo e refrigerado;

- Transferir o Bulldog para uma peça da casa que possua ar condicionado;

- Dispor de um piso frio é sempre bem-vindo, pois o Bulldog irá procurar deitar-se nesse local toda vez que sentir necessidade de refrescar-se;

- Faça uma “dieta” de verão, diminuindo a quantidade de ração normalmente administrada. Bulldogs com sobrepeso sofrem mais no calor;

- Troque os horários de ração, antecipando pela parte da manhã ou retardando pela tarde. Deste modo o Bulldog irá aproveitar melhor a ração e terá uma melhor digestão;

- Não pense duas vezes em molhar o Bulldog e deixá-lo molhado. Isso pode ser uma alternativa não muito indicada em relação à saúde da pele, mas entre perder o cão e tratar alguma dermatite…

Em situações extremas em que o estado de hipertermia já se desencadeou (língua roxa, ronco excessivo ao respirar, corpo mole e dificuldade de ficar em pé) procure manter a calma, deite o Bulldog com a barriga num piso frio e as patas traseiras esticadas para trás, com água corrente sobre ele, mantendo-o sempre molhado. Coloque o ventilador em sua direção. Pedras de gelo colocadas sobre a língua também ajudarão. Não havendo possibilidade de deixá-lo sob água corrente, poderá ser usado álcool de cozinha sobre o cão, já que a sua rápida evaporação irá resfriar a pele. Alguns minutos serão necessários até que o Bulldog possa se refrescar e readquirir a respiração normal.

O maior cuidado que se deve ter nestes casos é evitar que a passagem de ar pela boca se feche em razão da hipertermia. Isso é comum em se tratando de um cão braquicefálico e com palato mole alongado. Uma vez verificada tal obstrução, deve-se pressionar a base da língua para que o fluxo de ar seja restabelecido.

Por fim, vale relembrar: é muito mais fácil um trabalho preventivo, evitando estágios de hipertemia, do que tentar normalizar a temperatura corporal depois de um super aquecimento.


giba-criadorcolaborador

Gilberto Medeiros

Colaborador do Bullblog e Criador de Bulldogs desde 2003

Canil Reserva do Rei