Os cães, assim como os seres humanos, podem apresentar alterações no humor e no comportamento habitual. As causas para o surgimento são as mais variadas, indo desde alterações na produção de alguns neurotransmissores até a ocorrência de episódios marcantes (traumas) na vida dos cães.
A agressividade canina pode ser manifestada pelo rosnar, latir, erguer lábio superior, ameaçar ou morder de fato. Esse comportamento pode ser direcionado a outros cães, às pessoas ou a ambos. Alguns animais apresentam essa impaciência e agressividade desde a infância, no entanto outros animais passam a ter este comportamento depois de adultos. Normalmente tais alterações se dão na maturidade social do animal por volta de 12-36 meses de idade, sendo mais comuns em machos (castrados ou não). O comportamento agressivo nos jovens pode ser resultado da convivência com outros cães e aprendizado de um padrão comportamental aceito por aquele grupo. Manifestações contra o dono nem sempre indicam disputa de dominância, muitas vezes são demonstrações de medo e ansiedade.
O comportamento canino tem componentes ambientais, de aprendizado e genético. Quanto a parte genética, o controle deve ser feito através da seleção dos animais com conduta mais estável e de fácil convivência. Os fatores ambientais e de aprendizado tem influência direta dos proprietários e do local onde o animal vive. Muito importante ao cão é manter uma rotina de vida com regras estabelecidas de convivência, por exemplo a manutenção de horários fixos de alimentação, passeio e sono. Punições inconsistentes ou inadequadas diante de determinadas atitudes do cão podem gerar ou agravar condutas agressivas. É importante também investigar se há alguma doença ocorrendo que leve o cão a sentir dor ou desconforto e assim tornar-se menos paciente a afagos e brincadeiras. Por exemplo, alguns bulldogs que têm dermatite em baixo da cauda se tornam resistentes a carinhos no dorso e muitas vezes agridem quem chega para fazê-lo.
A terapêutica do problema envolve listar quais situações levam o animal a chatear-se ou agredir alguém e tentar evitar ou reduzir sua ocorrência, propor o engajamento no tratamento para todas as pessoas que vivem na casa, evitar petiscos que não sejam de rápido consumo como courinhos (muitos cães tornam-se territorialistas na presença de alimento valorizado), não retirar itens repentinamente que estejam com o cão (por exemplo retirar seu cobertor de repente, se for necessário ofereça um petisco como um biscoito canino e realize a troca com ele) e como última e mais importante colocação: jamais castigue fisicamente seu animal de estimação.
A utilização de medicamentos é possível se associada às mudanças comportamentais propostas ao cão pelos proprietários. A medicação busca redução da intensidade ou freqüência das alterações comportamentais, mas provavelmente não levará ao seu desaparecimento por completo. Algumas medicações estimulam a produção de serotonina e seu resultado demora de 18-30 dias para ser percebido. Também podem levar a alguns efeitos colaterais como sonolência e inapetência. Recomendam-se exames sanguíneos periódicos durante o tratamento medicamentoso. Alguns estudos mostram que alimentos que contenham baixo nível de proteína e bastante triptofano (precursor da serotonina no organismo) reduzem episódios agressivos e de alterações comportamentais. No caso de fêmeas jovens, muitas vezes a resolução dos desvios de conduta e de humor vem com o cio e talvez mais tarde com a castração. O prognóstico varia de acordo com o caso e com a cooperação do proprietário, cães com respostas agressivas ou imprevisíveis a situações inesperadas tem o pior prognóstico.
Dra. Viviane Dubal – CRMV/RS 8844
Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietária da Clinica Veterinária Saúde Animal em Porto Alegre. Contato: vivianesd@bol.com.br
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